segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Acesa


A gente pensa que sabe. Que sim. Que quando. A gente pensa que pode. Que dá. Que vai. A gente esquece que sente. Que dói. Que sangra. A gente se engana que nunca. Não mais. Se dane. A gente promete que sim. Que entrega. Se abanque. A gente esquece que vive. Que tempo. Se espanta.

Este blog devia vir com um alerta: não acredite em tudo que lê.

Quero só dizer que mandar nudes tá superado. Em termos de confiança e desnudamento, tem coisa muito mais desafiadora.

Tudo que você não diz. Tudo que você faz. E meu coração nessa gangorra.

Eu tenho birras. Daquelas que quase impedem de seguir na conversa. Uma delas: gente que acha que o Brasil é São Paulo. Que diz “os brasileiros” querendo dizer “a classe média sudestina”. Eu nem acho que o Nordeste ou os nordestinos tenham virtudes a mais. Mas temos defeitos diferentes.

Eu gosto do FB. Uma vez a minha querida Renata comparou com uma praça e eu acho que vem daí meu xodó: adoro lugares de encontro. Mas. Pois é. Tem dia que me cansa ficar driblando um monte de pequenas confusões, projeções, interpretações que acho equivocadas. Tem dia que é difícil pisar no freio e não sair me derramando nos status alheios e demandando que se tornem, todos, espelhos do meu pensar e sentir.

Uma vida de Pedro Pedreiro. E já não sei como sair daí sem sair de mim.

Quando a gente esquece de lembrar de esquecer.  

Eu sei do amanhã. Da solidão se fazendo ternura, se fazendo beleza, se fazendo sabor. Panela no fogo. Há canções e há momentos, o canto se espalha na casa. Pela janela entra o tempo em conforto e névoa. Sei dos livros empilhados do lado vazio da cama, do peito, da estrada. Sei dos filmes que parecem, inexplicavelmente, o mesmo velho álbum de retratos. O que eu não sei é como sair desse dia da marmota, sempre hoje, sempre vontade, sempre fome, nunca amanhã. 

é no erro que melhor se confessa o verdadeiro. não lembro em que psicanalista li isso (oi, inconsciente, seu lindo, você vem sempre aqui?) mas tem hora que pisca como neon e arde como queimadura, em mim. (googlei e é Serge Andre)

Um comentário:

Barbara Manoela disse...

eu nunca comento em posts, mas esse eu tive que parar pra comentar. pq essas indecisões, angústias, esse sentimento esquisito de "ser sem ser, estar sem estar" que não sai da gente, desde sempre... esse eterno dia da marmota aqui dentro...
que bom te ler.
beijo

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...