sábado, 10 de outubro de 2015

Meme dos Livros #04 - Um livro que indicaria para um novo amigo

No nosso meme, hoje é dia de falar de um livro que se indicaria a um novo amigo. Eu leio isso e sorrio. Por volta dos 30 anos eu julguei que não faria mais nenhum novo amigo. Bobinha. Quero crer que tinha motivos razoáveis pra supor algo tão incorreto. Talvez a ideia de que seria difícil juntar glossários já tão assentados.

O certo é que a vida deu gaitada das minhas expectativas e novas e queridas pessoas tem me acontecido e, com elas, proximidade, entendimento, descobertas, álcool, viagens, sabores, amores. Contraditoriamente, mesmo eu me pensando em livros e por causa deles, a época não tem sido propícia.

Não que meus amigos não falem de livros. Falam – e muito. Eu que não os tenho acompanhado. Por motivos tantos, tenho lido pouca coisa nova. Tenho me agarrado ao que me é. Ao que eu sempre. E por esses mesmos motivos - e outros, tenho indicado pouco. A sensação de que todo mundo já leu o que eu li.

Bom, eu não sei se vocês leram Fogos, de Marguerite Yourcenar. E nem sei se digo: leiam, como uma certeza. Não é dos livro mais bem escritos (e nem sou só eu que acho isso, a própria autora também o dizia). Mesmo na obra de Marguerite, ele é uma produção a parte. Não apresenta aquele equilíbrio e elegância que a caracteriza. É mais intenso, menos burilado, talvez. Não é especialmente insólito. Não inaugura uma linguagem. Mas eu gosto tanto. Gostei quando li, muito tempo atrás e gosto a cada vez que volto a algum conto. Gosto delas. Das personagens. Madalena, Freda, Antígona. Clitemnestra, ah, Clitemnestra.



Fogos é assim: uma releitura de personagens presentes no imaginário ocidental, quase todos oriundos da mitologia grega. Entre um texto e outro (um conto e outro?), frases, aforismos, pequenas e doloridas reflexões. Fogos é de exageros. E um cinismo apaixonado. Ou um romantismo cético. Há a energia. O Calor. E as entrelinhas.

Meu conto preferido é Clitemnestra ou O Crime – “…durante o dia lutava contra a angústia; à noite lutava contra o desejo e, ininterruptamente, contra o vazio, que é a forma mais covarde da desgraça…”. 

Logo a seguir, cabeça com cabeça, vem Fedra ou o Desespero – “…embriaga-se com o sabor do impossível, o único álcool que serviu, desde sempre, de base para todas as desgraças. No leito de Teseu, experimenta o prazer amargo de enganar de fato àquele que ama e, em imaginação, àquele que não ama. Ela é mãe: tem filhos como teria remorsos…”


É um livro imperfeito o que trago para meus amigos, novos ou nem tanto. Tem aquele dito: “o que Paulo diz de Pedro fala mais de Paulo do que de Pedro”. Talvez seja isso. 


2 comentários:

Renata Lins disse...

amo as personagens, amo o livro. E Clitemnestra. Vou ler de novo até. <3

Tina Lopes disse...

Vou procurar hoje mesmo!

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