sábado, 4 de julho de 2015

Mundo Real

 O que vocês talvez não suspeitem é que a) a gente tá se divertindo, b) a gente tá crente que tá arrasando, c) a beleza é nossa, a falta de jeito é do bambolê aka mundo real.


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Uma pessoa qualquer tem as três malas prontas. Legal, né? Aí ela, essa pessoa qualquer, pensa: vou pesar de novo, só pra garantir. Vamos ver se cabe mais alguma coisa. Aí pesa. Aí pensa:o que será que tem aqui pesando tanto? Aí desarruma as três malas. Aí, essa pessoa qualquer, vai pro FB procrastinar porque, né, que preguiça de arrumar mala num calor desses. Ou seja, a casa dessa pessoa tá mermim que um cenário daqueles filmes de destruição do universo. Tadinha dessa pessoa qualquer (depois de algumas tentativas de colcar tudo canhestramente no mesmo lugar, meus sentimentos já não são de dó pela tal pessoa).

A Marquesa fala, em determinado momento, que não casou de novo pra ninguém falar com ela em determinado tom. Mais ainda, pra ninguém sequer achar que tinha o direito de. Além da óbvia identificação, o que mais gosto dessa parte aí nem é o conteúdo em si, mas o reconhecimento de quem somos, como funcionamos, qual nosso limite e desejo. Eu, por exemplo, não dou explicações (ou ainda, muito raramente). Daí que, às vezes estou comentando em posts de amigos e penso: porque mesmo estou me explicando? Apago tudo e vou ser eu em outras bandas.

Tem umas coisas que eu escrevo, menos para alguém ler e mais para elas - e eu - existirmos. Meu limite. Minha fronteira. Minha sanidade. Quem me conhece sabe que eu não trabalho na lógica causa- -efeito, bonitinho, certinho e linear. É sem surpresa que eu lembro que estar só é irremediável e que a gente não se entende mesmo. É sem surpresa mas não sem tristeza.

E na vida real, essa da pia de louça, do trânsito ruim, das toalhas que precisam ser lavadas, das frutas que murcham na geladeira, do ônibus cheio e das contas altas, do fim de semana que demora a chegar e das noites que se acabam depressa... na vida real eu vou aprendendo a dormir ocupando os dois lados da cama. Vou aprendendo a fazer pequenas poções, a tomar café espiando o quintal, a usar as horas certas e erradas pra fazer o que quiser. Na vida real vou deixando que as olheiras escavadas no meu rosto voltem a ser sombras. Vou desenhando perguntas e esperando desejos. Vou aumentando os vazios. Faça caligrafia pra lembrar como se escreve: sozinha. Viver é abandonar, uma a uma, as esperanças de encontrar-me no outro. Resta, ainda, a tênue vontade de encontrar os outros. De qualquer forma, vou dormir. Não me acordem antes da felicidade chegar.
 
O mundo real tem essas lindezas, né.
Pelas ruas de Toulouse, bem vi uma dor que também iria ser minha.

2 comentários:

Ingrid disse...

perceber que é vida...
e viver o que é real.
Beijo Luciana.

Liliane disse...

Obrigada.

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