domingo, 14 de junho de 2015

Ubajara

Eu não sou de naturezas. Acho legal, entendo a vibe dequem curte, mas aqui entre nós, acho as praias todas muito parecidas. E as montanhas. E as plantinhas. Enfim, sou um monstro. Eu gosto mesmo é de coisa feito por gente, de preferência gente que faz tempo já é só nome ou nem. Se tiver meio deprequetado, com carinha de decadente, é nós. Choro feito um bebê com fome vendo o Davizão ou vendo Casablanca.

Eu não sou de aventuras, trilhas, descer pendurada em cordinha, nada dessas coisas. Andar subindo rocha pra lá de cima ver uma paisagem incrível? eu fico com a foto. Gosto mesmo é de ventilador, televisão a cabo, internet rápida, farmácia 24hs com entrega, almofadas e livros. Mas. Sei lá, tem alguma coisa em alguns lugares que me faz entender o Caetano e seu coração no meio do cruzamento. Como o céu de Canoa Quebrada. Ou Ubajara.

Sobre Canoa já falei um tanto. É como acertar na mosca. O céu e o mar e a vida tudo parece estar justinho como devia ser. Canoa é o riso batendo no peito.

E Ubajara? Ubajara é um cantinho de nada perdido no coração do meu Ceará. Onde só se pensa em praia e caranguejo (#meaculpa) tem essa serra com teleférico, neblina e temperaturas entre 15 e 25 o ano todo (mais para 15 no primeiro semestre, mais para 25 no segundo). E uma gruta, o eu nos oferece a oportunidade de escrever estalactites e estalagmites depois de consultar o dicionário pra ver se não engolimos nenhuma sílaba. Para os que só gostam de coisas importadas, o teleférico foi construído por italianos. Pra quem gosta de água (eu, eu, eu) tem um monte de cachoeiras, com diferentes graus de acessibilidade e absurdamente lindas.

Comentando o comentário de um amigo olha o FB padronizando as comunicações), eu falei da minha mala de vontades (essa que a gente arruma muito antes das malas de objetos, talvez porque, mesmo mais pesada, é mais fácil de arrumar e não cobram excesso na TAP). Pois é, nela tem a vontade de voltar a me perder por essa serra aí. E tem um restaurante, desses que a gente encontra por acaso (veganos e pessoas mais sensíveis não leiam a partir de agora), que você pára, senta nuns bancos de madeira embaixo da árvore, escolhe a galinha que quer comer entre as que ciscam ali no cercadinho, fica beliscando o tira gosto e conversando miolo de pote enquanto a senhorinha simpática mata a dita cuja na hora e prepara os acompanhamentos conforme seu gosto... farofa de cuscuz? sim, sim. Boto coentro? eu quero, ela não. Vai um feijãozinho? sim, sim, por favor. Depois uma rede debaixo do pé de planta até a modorra passar e voltar pra casa.


Eu, que não sou de naturezas, me derreto pela Serra de Ubajara. Imagina você. 

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