segunda-feira, 1 de junho de 2015

Ainda a Palavra Salgada

Mais um exercício da Ana Rusche (aqui). Esse, confesso, não gostei nem de fazer, nem do resultado. O lance era trocar o tempo verbal do texto. Mas o meu textinho tinha muitos tempos misturados, trocar tudo por um tempo só fez o texto (pra mim) ficar meio sonolento e sem ritmo. Mas, me lembra a amiga Renata, exercício não é feito pra ser gostado, mas pra ser realizado. Pois bem, devidamente exercitado ou malfeito feito, como pede o mapa do maroto.



Gostara de escrever como quem dança. Com leveza. Daquele jeito em que cada movimento tivera um sentido, fora trabalhado, elaborado e depois tornara-se só beleza e graciosidade. Quisera a escrita onde a suavidade incluiu a força, o que fora como declinação inevitável e, de repente, uma parada, um respiro. A repetição fizera-se arte e suor. Quisera minhas palavras em transpiração. As palavras fizeram ponta, mas nem se notava o esforço, quase flutuavam, enlevo e corpo.

Gostara de escrever como quem executava o improvável. Ocupara espaços de formas inusitadas. Como se o texto fora umbral e convite. Quando se dança é como se o corpo condensasse, em um tempo e espaço únicos e irrepetíveis, som, sonho e movimento. Escrevera como quem rodopia. Desenhando transitórias figuras no ar.

A letra fora como o segundo ato de Giselle, a morte do cisne, a Valsa das Flores, como uma coreografia de Deborah Colker, um improviso de Baryshnikov, um dueto com Fred Astaire. Gostara de escrever como quem desloca o ar, fosse no palco, fosse no peito.

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