domingo, 17 de maio de 2015

Um quilo de sal

Aquele momento meio susto, meio alegria: já comemos um quilo de sal.

Porque você afaga meu cabelo no meio da noite, quando eu deveria não saber por já estar dormindo, mas estou acordada esperando que você durma e não saiba que eu fico acordada esperando você afagar meu cabelo no meio da noite.

"Desde que te conheci, nunca fui tão infeliz na minha vida. 
-Nem eu. 
- Eu não trocaria isso por nada. 
-Nem eu."
(Do filme A Um Passo da Eternidade)



Uma coisa que eu gosto é cozinhar. Algumas vezes vou pra cozinha sabendo exatamente o resultado que espero, outras tantas vou deixando as opções possíveis me guiarem. É fácil cozinhar sabendo o que se quer. Difícil é cozinhar o que o outro quer. É difícil fazer um prato que o outro tem claro na mente como deve resultar mas que você só conta com poucas indicações esparsas pra cumprir, sozinha, o processo. O outro espera ver no prato um dado resultado. Resultado esse sobre o qual você não tem a mais vaga ideia mas que o outro age como se vocês já tivessem comido aquilo vezes e vezes. Enfim. Tem uma perna de cordeiro aí? Pega a faca de ponta afiada, faz uns buraquinhos e enfia um montão de alho. Depois dá aquele banho com limão siciliano. Deixa pegar o gosto. Rebola sal. Coloca no forno por uns vinte minutos. Junta pimentos vermelhos, tomates, mais alho, cebola. Forno de novo. No por enquanto, faz umas batatinhas no forno pra aproveitar o forno quente, né. E torce pro resultado ser parente do que o outro desejou.

Para amar é preciso ser livre. De tudo. Até do amor. Só assim saberemos tecer as amarras que melhor nos cabem.

Status: mais café do que devo, menos do que preciso.

Atualizando a lista. Eu preciso de: 
- um tempo,
- um casaco de primavera,
- uma pele mais grossa,
- sorvete de graviola,
- um abraço,
- um mouse que funcione,
- uma hidratação no cabelo,
- uma sapatilha,
- uma máquina de café,
- coragem,
- dinheiro,
- uma faxina,
- um coração. Pode ser usado, baqueado, mêi sambado. Se tiver batendo, tá valendo. 

Acabou a décima primeira temporada de Grey´s. Faz onze, anos que vejo essa série. Tenho amigos que amo que conheço a menos anos e com quem passei menos tempo. Vejo Grey´s porque Shonda consegue desenvolver os temas com tanta inteligência e sensibilidade. Porque cada assunto é tratado em uma complexa e enlinhada teia onde o mesmo mote é vivido em níveis diferentes, por pessoas diferentes, com desenlaces diferentes, fazendo com que nossas vivências, falhas e aspirações sejam, de alguma forma, acolhidas e, ao mesmo tempo, questionadas. Essa temporada, em especial, casou direitinho com meu momento. Foi uma temporada de despedidas e recomeços. Das pessoas se ajeitando para caber um pouquinho mais confortáveis em seus corpos, em seus relacionamentos, em suas vidas. Um tempo de reconhecer limites. E aspirações. Foi uma temporada de acolhimento: do inesperado, dos medos, das faltas íntimas. Uma temporada para aceitar o sol que há no peito. A gente termina fazendo o que dá e dançando. Acho digno. 

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