sexta-feira, 29 de maio de 2015

Palavra Salgada ou Os Temperos da Língua 3

Essa é a terceira resposta do 2o exercício proposto pela Ana Rusche (bem aqui) Eu decidi tentar cumprir a tarefa não um dia, mas em todos os dias da semana. Trocar os verbos cada vez que reescrever até diluir completamente a memória do primeiro texto. Quem sabe onde isso vai dar? ;-)



Eu quero você como quem mergulha. Com leveza. Daquele jeito em que cada movimento compreende um sentido, foi desejado, antecipado e no agora desvela-se só beleza e graciosidade. Um tesão onde a suavidade projeta a força, o que nos enlinha como declinação inevitável do que somos e, de repente, uma parada, um respiro. A repetição diluindo-se em arte e suor. Inspirar as palavras como antecipação do prazer. Que as palavras se façam fôlego, permitam as braçadas sem esforço, oxigênio, enlevo e corpo.

Imergir como quem executa o improvável. Afundar-me nos seus espaços de forma inusitada. O seu corpo transmudado em umbral e convite. Afogar-me nas suas correntezas, o corpo se liquefazendo em um tempo e espaço únicos e irrepetíveis, sal, algas e alento. Mergulhar como quem se entrega. Fabricar transitórias figuras arrastadas pelas correntes.

Submergir em você como quem repete o segundo ato de Giselle, a morte do cisne, a Valsa das Flores, como uma coreografia de Deborah Colker, um improviso de Baryshnikov, um dueto com Fred Astaire. Mergulhar em você como quem desloca águas, ondas na praia, maresia no peito.
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