terça-feira, 26 de maio de 2015

Palavra Salgada 1 ou Dos Temperos da Língua

Essa é a resposta do 2o exercício proposto pela Ana Rusche (bem aqui). Sim, fui pelo atalho fácil. Mas dobro a aposta e, assim, espero, me redimo. Eu não vou fazer uma vez. Vou refazer todos os dias da semana. Trocar os verbos cada vez que reescrever até diluir completamente a memória do primeiro texto. Quem sabe onde isso vai dar? ;-)

Found drowned, George Frederick Watts. 

Eu desejaria amar como quem dorme. Com leveza. Daquele jeito em que cada movimento inspira um sentido, pode encantar, afastar e o agora esvaece, só beleza e graciosidade. Digeriria a morte como se a suavidade incluísse a força, purgando como declinação inevitável o que persiste e, de repente, uma parada, um respiro. A repetição lacerando-se em arte e suor. Ansiaria que minhas palavras entorpecessem. Que as palavras chamassem o sonho, mas que nem se percebesse o sono, quase corrompessem a noite, enlevo e corpo.

Amar como quem executa o improvável. Reinventar espaços de formas inusitadas. Como se o afeto fosse umbral e convite. Quando se fornica é como se o corpo condensasse, em um tempo e espaço únicos e irrepetíveis, som, sonho e movimento. Trepar como quem pestaneja. Como quem cresta transitórias figuras no ar.

Que o amor aparvalhasse como o segundo ato de Giselle, a morte do cisne, a Valsa das Flores, como uma coreografia de Deborah Colker, um improviso de Baryshnikov, um dueto com Fred Astaire. Anelaria amar como quem prescinde do ar, cristalizando um oco no peito.


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