terça-feira, 14 de abril de 2015

Salgado

Tem dia que as coisas parecem dar mais certo do que sempre. Hoje. Dias em que o 28 está bem vago. Em que o cabelo está lindo, a pele boa, o batom ornando. Dias em que o céu no Terreiro do Paço está azulzinho com nuvens brincando de renda. Em que se recebe mensagem do filho. Falando de livros. Dias em que o abraço das amigas está mais risonho, que as degustações em evento divertido estão deliciosas, em que o espumante rosé está refrescante. Em que a irmã manda zap zap que mareja olho. Dias em que se vai sentada no 15 até o Gênesis.

Pois é, hoje fui ver o que o Sebastião Salgado viu. Fui achando que devia ir, porque, né. Mas com receio de não me envolver. De não reconhecer o que eu sabia que era enorme. É que, quem me conhece sabe, não sou muito da natureza. Temi que o registro de plantas, animais, paisagens e afins não me tocasse como eu imaginava que deveria. Tolinha. Não foi a primeira vez que me encontrei em uma exposição dele (e essa frase não é a toa). As duas vezes eu estava na Europa. E me vi, de repente, em algum lugar outro, de alteridade, mas íntimo.

A exposição é incrível. Cada fotografia parece propor um convite e contar uma história particular. Ao mesmo tempo, elas se qualificam, se espelham, se implicam. Tem paisagem, planta e bicho? Tem. Mas cada bicho, planta, paisagem parece interrogar minha humanidade. É perturbador. Bonito. Aliciante.

Foto de Sebastião Salgado. Exposição Gênesis.

 Do que mais gostei foi desse moço na foto aí em cima. Voltei algumas vezes pra olhar ele “me olhando”. Quanto mais o olhava, mas me sabia. Mais me dizia. Mais o via, mais me sentia. Eu. Saí de lá com o coração inquieto. Com aquela vontade de ser. De fazer. De viver.

Tem dias que as coisas parecem dar mais certo do que sempre. E que se estendem bons além do que se conta. A gente chega em casa e ainda tem amor feito convite e presente. Vou dormir com aquela alegria do dia que é um abraço.


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