quarta-feira, 11 de março de 2015

Daquilo Que Eu (não) Sei

E esse azul que nunca mais será.

Do que sempre gostei: gente. Mas, às vezes, fica mesmo difícil.

Eu não sei contar, eu não sei cantar, não sei costurar, bordar, tricotar, trocar pneu de carro. Eu não sei o nome das esposas do Chaplin, do Vinícius, do Henrique VIII, eu não tenho cultura geral, conhecimento específico ou uma boa enciclopédia. Nunca aprendi outra língua, outro código, outro ofício. Às vezes, suspeito, ofício algum. Eu não sei o que é preciso saber, nem o que é bom, nem o que se esconde nas entrelinhas ou atrás das linhas inimigas.  Eu não sei o nome daquela orquídea nem dessa canção. Eu não conheço as estrelas, as ruas, os rumos. Eu não sei que dia é hoje, o tempo certo, a hora exata. Eu não lembro as histórias, os quadros, as cores. Eu não sei dobrar guardanapo, fazer recheio, arrumar a mala. Eu não sei o lema, não tenho brasão, não acerto o passo. Eu não sei qual é o vinho, o acento, instrumento. Sabe aquela cantora famosa da década de 20? eu não sei. Sabe aquele tempero indiano que combina perfeitamente com o frango? eu não sei. Sabe aquele balé, aquele concerto, aquele filme, aquele poema? eu não sei. Sabe aquela, essa, esta, a outra teoria? não, não e não. Eu não sei, eu não vi, eu não li, eu não ouvi, eu não conheço, eu não lembro. Sou um amontoado de vazios e desconhecimentos. O único consolo é que sobra mais espaço pra você.

Das pouquinhas coisas que sei, sei que a Debora Kerr que o Gregory Peck.

Caindo do Empire State Building e lembrando de fazer a piada: já foram 14 andares e, até agora, tudo bem. 

É que às vezes temo meu noturno sentir e, assim, como quem reza, abro a janela. É importante saber o sol.




Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...