quarta-feira, 11 de março de 2015

Dia de Aniversário

Eu nunca fui de fazer muitos planos e os que faço costumam blablabla (já falei aqui). Mas se alguém por aí me perguntasse, em um desses dias da vida, como seria o meu aniversário de 40 anos eu responderia sem piscar: festa. Festa mesmo, sabe, grande e brega, buffet alugado, cerveja, riso, dança. Gente, muita, muita gente. Ou, depois da resposta inicial, refletindo melhor: um monte de festinhas. Uma em casa, churrasco ou feijoada. Outro dia no Dragão do Mar, uns amigos. Outro dia na praia, outros amigos. Provavelmente um almoço na tia socorro, mais família. Um jantar na casa da Bete. Uma terça insana. Talvez uma esticadinha pra comemorar com a Bárbara e quem mais quisesse em São Paulo. O que nunca, nunquinha eu ia pensar é que ia passar meu aniversário sozinha.

Não que eu não goste de ficar sozinha. Gosto tanto que às vezes tenho até medo. Gosto dos meus pensamentos, de fazer coisinhas pra mim mesma, de escolher ver tv ou ler, gosto de bebericar meu café devagar como se viver fosse exatamente isso, gosto de mim. Só não seria opção nesse dia que tem cheiro de festa.


E, ainda assim, vai ser. Vai ser o deixar a janela aberta pra o azul entrar cedinho. Escorregar da cama pro chuveiro com olhos apenas entreabertos. Deixar o morno me despertar. Vestir cores. Café quente, quente, quente. As últimas bolachas holandesas que foram presente carinhoso. Ler as mensagens dos primeiros. Outro café? Melhor no quintal. Colocar sapatilhas (alguém me avisou pra pisar nesse chão devagarinho) e espiar o Jardim da Estrela. Ver o azul, ver pessoas, ver o tempo. Espreguiçar. Pegar o primeiro ônibus que passar só pra seguir em movimento. Pangolar pela cidade. Sentir fome. Voltar pra perto de casa, comer na tasca apertadinha onde o dono, simpático, vai perguntar das minhas tias. Beber uma jarra de vinho verde sozinha. Ficar levinha. Seguir pra casa pelo chinês, comprar mais um saco de embalagem a vácuo, pilhas, espiar se tem uma saladeira. Chegar em casa preguiçosa, ler mais mensagens, chorar um pouco. Arrumar as coisas que faltam nas malas e pensar: opa, já são as duas primeiras. Pensar se o resto vai caber em mais duas. Conversar com o filho pelo Skype, Com a mãe. Ver bobagem na tv, cochilar. Outro café (não deixa a dermatologista saber). Será que dá tempo? Dá. Pegar o 28 pra dar uma volta. Ir até Martim Muniz e voltar. No caminho, parar no alfarrabista e comprar três dvds usados – presente pra mim mesma. Aproveitar e tomar um caldo de cana. Passear pela baixa. Esperar o escuro ser. No quando, de novo o 28, descer em frente ao Mercado, encontrar amigas, jantar comida de Goa, beber uma sangria. Rir. Conversar. Me despedir. Tirar toda a roupa. Abraçar a noite em mim. 

Mas, claro, são planos. E os planos que faço...

Um comentário:

Anônimo disse...

A vida é como é.... a beleza é curtir e ser feliz com o que se coloca para nós, e tirar de cada possibilidade o melhor dela para nossa felicidade....
Te amo!!!

Dúvida: pq não tomamos caldo de cana juntas ai?

Luana

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...