sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Soframos

Cantava o moço Vinícius: “eu francamente já não quero nem saber de quem não vai porque tem medo de sofrer...”. E, né, ele tem tanta razão. Porque, nos relacionamentos, a gente sofre. A gente sofre se a outra (ou as outras) pessoa (s) deixar (em) de sentir o desejo/tesão/interesse antes da gente. Sofre se a outra pessoa  - ou pessoas – ainda estiver na nossa e a gente não mais e aí tem que dizer, desfazer, desenlinhar nossa vida da dela. A gente sofre se ninguém der pra trás e ficar juntinho pra sempre, mas o pra sempre tem uma morte espreitando lá no fim. A gente sofre com a ausência quando a distância se impõe. Sofre de falta de espaço quando a distância não se impõe. Sofre se a relação for fora dos modelos e a gente nunca souber direito o que vem depois e não souber como agir. Sofre se a relação for na fôrma e a gente souber exatamente o que fazer e dizer e sentir e não puder colocar nossas idiossincrasias na pauta. A gente sofre de abandono, de vontade, de incompletude, de excesso, de saudade, de solidão, de dor de cotovelo. Sofre de nem saber porque é que sofre e de culpa por sofrer sem nem porquê. 

O que resta é lembrar de sá Marica parteira: aproveite a dor! Ou ainda: a gente sofre de teimoso quando esquece do prazer, porque em todos esses roteiros e cenários, a gente não devia se esquecer do que o dicionário guarda: sofrer é passar por. Se sofremos é por vivermos o bom, sabermos o riso, partilharmos o gozo. Soframos, felizes. Mais do que passar pela vida, deixo que a vida passe por mim, me atravesse. Soframos eu convido.

Um comentário:

Juju M. disse...

Sempre incrível você! Estava com saudades de te ler.

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