quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Uns sorrisos tão felizes que dá vontade de sorri-los sempre.

Ele sabia a morno, o que é sempre bom, ainda mais quando o mundo esfria e a chuva desenha na janela.

Sabemo-nos inocentes, nada de excepcional pode nos ser impingido. A não ser a felicidade.

Porque eu faço piadas bobas. Porque você não entende nenhuma delas. Porque você se inquieta. Porque eu me demoro em risos. Porque há Maria Creusa e o feijãozinho com torresmo, tão nosso, tão abismo. Porque a linguagem é o labirinto em que escolho me perder.

Aquela sensação de ternura, um roçar do bom. Conforto. Ainda nem sorriso. Um agora. Preciso. Precioso. Que a gente nem define nem antecipa. Se entrega. 

É mais fácil amar de maneira superlativa. Ou, pelo menos, assim tratar o amor. Grandes decisões, longas separações, viagens inesquecíveis, reencontros estrondosos, desejo insaciável, mudanças definitivas, choros convulsivos, gaitadas ensurdecedoras. Mas a mágica definitiva que me enreda e assusta é o bem querer das pequenas coisas. Escolher só entre sopa ou espaguete. Deixar-se por horas e já sentir saudades. Um pulinho à cidade vizinha pra comer marisco. O repouso após o gozo. As permanências miudinhas.  O soluço solitário. O sorriso insinuado. O que a pele guarda. As palavras não sabem narrar aquele pequeno movimento de entrelace das pernas antes do sono, a mão que roça quando andam distraídos, os minutinhos no sofá, o suspiro antes de desligar o telefone. Tudo que não se pode dizer, que escapole, que fica entre. Miudezas.



Coisinhas que brilham: glitter, paetês, vaga-lume, estrelinhas, lantejoulas, cristais. Desejo.

O momento seguinte àquele em que a gente arregala o olho e pensa: isso aí, bem agora, estou sendo feliz. 

Você chora por isso e não por aquilo. Amigo, habitam-me mares inexplorados, não me falta sal, posso doer por muitas coisas.

Quando se amou tanto assim, pode-se ter certeza de conviver daí pra frente com um membro fantasma.


2 comentários:

esther maria duarte lucio bittencourt disse...

que lindo, Luciana Nepomuceno. pungente! e tão de todo mundo!.

Luciana Nepomuceno disse...

obrigada, esther e que alegria ter você por aqui...

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