terça-feira, 2 de setembro de 2014

Meu Tempo É Quando

Esses dias andei fazendo planos pra quando eu voltar. Sei que olhar pro futuro é, muitas vezes, uma forma de escapar do agora. Assumo. Uns dias sem conseguir fazer coisa alguma me entristecem. Pra sair do cinza, brinco de arrumar a casa. E vou ensaiando o quando. No quando, vou ter uma máquina de pão. E uma de café. De cápsula. E, é provável, vou continuar fazendo café no pano. Panelas. Frigideiras. E, enfim, aquela prateleira de temperos. No quando a sala será em almofadas e um quadro de ímãs. Um lençol sei lá quantos fios pras noites de maior solidão. Um jarrinho na janela. Ou dois. Os livros continuarão como sempre: em pilhas perto da cama, estantes, em cima da mesa. Junto com os trabalhos dos alunos. Uma parede amarela. Haverá mais música nesse quando do que antes. Desses pequenos presentes que o entretanto oferece. Uma varanda, pequena que seja. Algum vidro aqui e ali. Já não preciso do congelador que cabe uma 600ml em pé. No quando, já aprendi a beber long neck. Azeite e vinho verde, em fila, até o vinho verde acabar. Visitas. As taças, aquelas, de volta ao uso. Um ventilador grande. Outro pequeno. O cheiro das especiarias aos sábados. O notebook ligado. A televisão ligada. Um porta-chaves com lenços pendurados. Uma mala semi-feita. Uma japonesa esquecida ao pé da cama. Toalhas descombinadas no meu banheiro. Conjuntinho bonitinho e decoração no banheiro do corredor. Canecas coloridas. No quando, usarei sapatinhos vermelhos. E vez em quando, nas esquinas da casa, se ouvirá o eco. Do salto. Do riso.


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Enfiar o pé na jaca: uma arte que domino.

Eu sempre digo: tem coisa tão bonita que devia ser verdade.

Status: aproveitando o impulso do tropeço.

Não, eu não quero mais tempo do que o que teremos, mas preciso confessar que espero sentir esse que temos passando com vagar.

Era cinza e vento e frio. Mas, por um breve momento, via-se o sol brincar no rio e eu era feliz. 

Das palavras ou expressões que apagam o sol do peito: enrustido, racismo ao contrário, tava pedindo, mal comida, perder peso, presidanta, mulher direita, homem de bem, é pra sua saúde, é para o seu bem. E, algumas vezes: nunca mais.

Das geografias: 234km devia ser a distância regulamentar entre os lugares que amo.

Eu gosto de fazer posts sobre as coisinhas miúdas do dia. Por causa da Juliana. Do que ela me disse, um dia e eu nem sei direito repetir mas me fez acreditar que faz sentido a letra, mesmo quando esse sentido eu ainda desconheço. Então, flor, hoje eu coloquei água na cebolinha que resiste na janela. Um dia será um jarrinho de beleza. Um dia. Um jarro de margaridas amarelas, talvez. Um dia. Hoje, verdinho pro prato. No dia de hoje, fiz café. Queimei a língua. De novo. Fui ao supermercado com dinheiro contado e ainda voltei com quarenta e dois cêntimos de troco. Acertei dois lindos ovos estrelados. Não escrevi nada que prestasse e chorei porque sou burra e comecei a arrumar a mala pra voltar pra casa. Daí lembrei que uma amiga vem na quinta e desisti da mala. Não seria educado deixá-la sem pouso. Fiquei na janela pra ouvir a conversa dos moços que trabalham na reforma da casa em frente só pelo ritmado da voz. Peguei vento. Vi a luz e lembrei, um tanto de vezes, porque é tão fácil amar Lisboa. Coloquei roupa na máquina. Escrevi bobagem no facebook. Cozinhei com maionese. Fotografei o jantar. Atendi telefonema que foi tipo abraço. Pensei em lavar a louça. Desisti. Pedi pro Paulinho da Viola cantar. Ele está cantando. 


2 comentários:

Fortalezajb Iluminada disse...

Ótima postagem!!!!!
Amei ....LINDAAAA
http://meumundorosapynk.blogspot.com.br/
Beijocas

Flor de Lótus disse...

Oi,Luciana!Passando pra conhecer teu blog,vi o nome dele em um blog amigo e me chamou a atenção pelo borboletas sou apaixonada por elas.Gostei muito da forma que tu escreve,também sou assim de pensar no futuro, de estar com um pé aqui e outro lá.
Beijosss

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