sábado, 20 de setembro de 2014

Essa Lìngua


O tanto que eu amo a língua portuguesa. Sei nem dizer direito. Amo escutá-la. Ouvi-la se reinventar na conversa do sertão. Eu leio Mia Couto e penso em Quinteto Armorial e no meu tio Louro. Tem que ver isso aê. E daí lembro do meu amigo português reivindicando os autores brasileiros como tão dele quanto os aqui nascidos. E é isso. Minha pátria, minha língua.

"eu provavelmente queria que esse depois fosse logo". Porque há lindeza não só no conteúdo, mas na forma, nas curvas de cada palavra, de como elas podem ser organizadas, alinhadas e como elas nos dão a volta e brincam e convidam e se escondem e permitem. No como, eu amo no como. 

Status: funcionando feito cristal. 

Eu leio livros e consigo imaginar a autora andando de camiseta e meia pela casa, ouvindo jazz em daqueles rádios antigos, com imensos e redondos botões,  enquanto passeia pela sala com uma colher de pau na mão, meio em dúvida sobre o que ia mesmo fazer. E tem aquele autor que eu vejo nitidamente comendo com colher em um prato de alumínio. E aquele outro que usa blusa xadrez e toma apenas chá de limão. Meus autores nem sabem que eu sei a vida que lhes é tão íntima que inexiste,

Porque eu vim ao mundo a passeio. E você está por aí, com tempo livre. São as coisinhas miúdas da felicidade. Como uma ligação no fim da manhã. Ou um livro pelo correio. Ou uma surpresa com violino. É isso, meu segredo: eu adoro violinos. São lindos, não são? A curva sinuosa, o jeito preciso com que se assentam sob o queixo, a postura que demanda um preparar para o abraço... Ah, e ainda tem o som que eles produzem. É mais ou menos assim: tum, tum, tum. Não, não, esse é o som do meu coração batendo um tantinho mais acelerado. O som do violino é mais envolvente. O violino é o mais agudo dos instrumentos de cordas friccionadas (borboletas é cultura) e não é tão idoso assim, já que veio a surgir apenas em meados do séc. XVI. E aí, luciana, desde quando tu gosta de violino? Desde agora, ora. Bom, ele sempre esteve por ali, arrudeando, seu som agradando, mas notar, notar, eu nunca parei e notei. Quer dizer, teve uma vez no show do Antônio Nóbrega, mas não vale, com o Nóbrega tudo é bonito. E agora, violino é tudo de bom. Acho legal quando essas coisas chegam e fazem ninho no meu coração. Se assentam como se sempre estivessem ali. Como se meu coração fosse seu por direito. E aí, eu gosto. Pronto. Não tenho teoria, nem conhecimento. Não gosto de informação pela informação e do violino vou saber pouco mais do que as duas coisinhas que listei aí em cima. Mas que vou ouvir, rodar atrás, entrar em transe, ah, isso eu vou. O certo é que, agora, sou uma apaixonada por mais um instrumento de corda. E pelas delicadezas de qualquer ordem ou natureza. Na verdade, sou fácil. Você pode desaparecer um tempo, aí você vem e toca um instrumento, recita uma poesia, vira bundacanastra e, voilá, somos melhores amigos de novo (você, aqui, é vocativo traduzível por qualquer um, se você - evocado - não sabe tocar violino, no have problem, foi apenas um exemplo).




O Fb pergunta: no que você está pensando? Tô pensando, Facebook, que esse lance de ser contra a corrupção assim, com uma visão intransitiva e não relacional não me diz nada. Corromper-se, inclusive, eu diria que é do humano. Pra mim só faz sentido se a gente discutir corrupção e construtoras e o problema da moradia, corrupção e planos de saúde e farmacêuticas e a questão da saúde, etc. É isso, FB, tô aqui pensando ranzinzices.


Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...