segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Óculos



Acho que vou precisar usar óculos novamente. Ainda estou elaborando os sentimentos. Só posso dizer que se houvesse uma gincana com prêmio pro que me deixa mais vulnerável, a vida tinha partido na frente.

Status: a gente faz uma escolha, o acaso vem debochar.

A questão mais importante pra mim, no momento: Rio Bravo ou Matar ou Morrer? 

Uma vida mais nublada. Esse deve ser o aviso.

Uma coisa complicada nos relacionamentos, pelo menos pra mim: os nomes dos relacionamentos e os modelos acoplados. Quer dizer, nem sei se modelo é a palavra certa, mas certas normas e impressões que fui internalizando (#quemnunca?) dos filmes, livros e conversas com outras pessoas, das outras histórias de vida. As expectativas. Aquele conjunto de coisas que constituem a fôrma do sentir e que muitas vezes a gente – ou eu – não se pergunta sobre. Eu vejo gente que vem e vai, “de ryder”, usando os nomes com alegre distração. Admiro. Mas eu prefiro andar nua deles. Porque as narrativas me forjam - e, claro, eu sei, eu as forjo por ser. Mas tem hora que não dá – ou eu penso que não dá – pra fugir da história. Porque eu não estou sozinha nisso. Eu digo, mas também sou dita. E, nesse espiral, passo a “ser” alguma coisa de alguém. Por exemplo, não sei, uma namorada. E vem todo um combo de designações e esperas à minha cabeça. Aí o moço da vez faz alguma coisa. E, pá, dói. E no primeiro momento eu me inclino a reagir direto na linha causa-efeito.  Mas de vez em quando me lembro de me perguntar: isso dói mesmo ou eu acho que deveria doer porque somos xxxx? Uma porção de vezes, no segundo respiro, eu percebo que nem me doeu, apenas espero – tá lá no meu modelo, página 27, item 3.1 - que determinados comportamentos doam e eu acabo indo no movimento. Foi libertador aprender a fazer este tipo de pergunta: pera lá, Luciana, é tal ou você acha que deveria ser tal?  Pra mim todo dia é dia de pensar como separar as coisas que eu acho que deveriam machucar e as que machucam mesmo. E como eu não acredito em essência e nem em uma Luciana pronta, me perguntar, se machucou mesmo, porque machucou e caso não tenha machucado, porque não machucou se machuca tanta gente?  E fazer a pergunta depois dessas, claro, não machucou mesmo ou eu estou dizendo que não machucou mesmo pra me defender da dor e não ter que acolher o sofrimento? E fazer a pergunta depois da pergunta seguinte – sempre tenho alguma, podem acreditar - e viver na inquietação e me perguntar, também, claro, antes de apagar a luz, se as questões tantas e todas aproximam ou afastam o sentir. E de pergunta em pergunta ir esvaziando o combo das expectativas e escrever meu próprio glossário.


Um comentário:

Anônimo disse...

Ao final do texto só pensei.... no fundo, no fundo, tadinho dele!!!
Mais forjado do q pensa q forja
Luana

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