domingo, 3 de agosto de 2014

Ir Embora

Cafuné devia ser considerado artigo de primeira necessidade.

Bom dia pra você que tá por aí pensando se a falta de prática te deixou com falta de jeito. Flertar, por exemplo, ainda sei?

Por obra e arte de amigo querido, fui de novo ao futebol. Que eu amo. Me fez feliz. E confusa. É que quem nasceu pra pataca nunca chega a ser vintém.

Sabe aquele momento que depois do depois você enfim percebe que vive – e bem – sem o outro? É que, em mim, chega rápido. 

Quando tudo for esquecimento, ainda vou sentir tuas mãos nos meus cabelos.

Acho que quem fuma tem a vantagem de ver o tempo e a brasa fazendo o que existe virar fumaça.



Hoje eu acordei arrumando as malas. Ainda não as que viajarão pesadinhas de vinhos verdes e azeites e livros, mas aquela, cá dentro, que separa o que vai e o que fica e começa a fazer, da ausência, percurso. O certo é que comecei a sair de Lisboa quando acordei e pensei: daqui a um ano, neste dia exato, já não morarei mais aqui. Com tese ou sem tese, é game over. Ainda voltarei, espero, em passeios curtos ou viagens demoradas, mas meu olhar e meu lugar serão outros.  Já não terei minha casa, meu bairro, meu canto. Já não serão íntimos os cheiros das sardinhas assadas, o barulhinho do eléctrico na minha janela, o percurso sombreado até o Jardim da esquina, os idosos falantes do meu ponto de ônibus. Esse azul que me abraça e que, um tanto de vezes, me consolou. Já não será meu o Tejo que procuro em tristezas pra sussurrar o clichê do navegar é preciso, viver é impreciso (eu sei, eu sei). Já não serei em filas de supermercado ou vagando na feira da Ladra. Começo a despedir-me de Lisboa e embora a alegria do que me espera do outro lado do Atlântico seja clara e boa, não vou sem doer. Já comecei a sentir os vazios que serão. E a lembrar belezas que, ainda. Haverá em mim, desde agora, o anseio por lamparinas antigas e azulejos azuis. E esse amor que não tem o que abraçar. Ou, apenas, como a canção: "medo de ir embora, vontade de não ficar"



Um comentário:

Anônimo disse...

Sem querer bagunçar muito..... lembrei do portugues q foi aprender ingles......
Luana

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