sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Eu tô no Facebook

Ontem um amigo querido escreveu no FB sobre a saudade. Do outro. Que era dele mesmo. De quem ele era ou fazia. Com esse outro, pra esse outro. Sinto muitas vezes assim. Uma vontade de alguém que, reparando bem, é de mim mesma. Uma saudade de uma risada, de um gesto, de uma palavra. Um emaranhado que me faz. Falta de mim mesma. De uma mim mesma, pra ser mais precisa. Aquela uma. Que isso. Que aquilo. Era. Sou. Saber disso deixa o respirar mais fácil. Está aqui, estou aqui, afasta um pouquinho, bora dar espaço que ela aparece.

Eu tenho muita gente na minha TL que vê os reais programas de culinária. Eu vejo Master Chef. Sim, o fundo do poço é um local lamacento.

Tem uma brincadeira correndo entre os chegados no FB: olhar generosamente pro dia e listar os momentos felizes. Consegui meus cinco momentos antes do meio dia, daí pra frente foi lucro.

Como eu disse uma vez, o FB é, pra mim, uma âncora. Ou ainda, é meio um cruzamento da sala de cafezinho do departamento com a mesa de bar, incluindo ainda um diário com anotações sem data, o quintal da minha mãe, um disparate, a banca de jornal, meu gabinete e um álbum de fotos. Lá aprendo, fofoco, descubro links interessantes, tenho boas conversas, rio de algumas imagens, falo com amigos, escrevo as bobices que me passam pela cabeça e até paquero sem o moço saber que está sendo paquerado.  A Renata Lins tem uma analogia ótima sobre o Facebook, ela compara com uma praça. E aí, falando sobre isso, pensei que sim, sim, sim, me lembra aquelas pracinhas no interior do Ceará, com muitos quiosques, algumas crianças brincando no parquinho ou correndo pra lá e pra cá, gente em grupinhos que vez ou outra se confundem, fofocando da vida alheia, discutindo política, tecendo os rumos da cidade, uns contando piada e rindo alto, outros informando sobre as novidades.. e me deu uma baita saudade dos tempos de implantação de CMDS e outras atividades afins que incluíam viajar pelo meu estado todo, facilitando reuniões, conhecendo gente, dançando, abraçando, partilhando feijão e farinha. Um tempo em que tantas Marias e um bocado de Franciscos me ensinaram tanto, me fizeram tanto. Tanto sertanejar, tanto acreditar, tanto lutar, tanto amar. E o cultivo paciente do respeito ao outro e a seus tempos e desejos. Sou grata.


Hoje, na minha TL:

"O meu chorar dá vida ao Tejo". Estava ali, de bouas no Terreiro do Paço, tomando uma, vendo Lisboa na rua e os moços bonitos tavam cantando isso. Ou algo bem parecido.

Viver sozinho é instrutivo. Ensina, por exemplo, que se a gente quer que as coisas ruins desapareçam do mundo tem que tratar disso com as próprias mãos (tipo descer o lixo).

"Não fosse esse abismo entre nós, eu te convidava a dançar o meu ultimo bolero". Só que onde tem abismo pode ler oceano. E não precisa ser bolero, é só uma desculpa pra ficar pertinho mesmo.



Ontem, na (minha) madrugada, recebi o convite da Deborah Leão pra dar uma espiadinha no dia e listar cinco coisas que me deixaram tão, tão, tão contente que até se diz: feliz. Eu já estava deitada, sonolenta e deixei pra fazer hoje. Fui dormir pensando nisso, claro, e foi tão bom, fiquei numa bruma de contenteza. Acordei, fiz uma coisa e outra e, quando sentei aqui pra listar as coisas de ontem, vi que já tinha coisas de hoje gostosas o suficiente. Então, de hoje:

01. A mensagem no celular que pôs riso na boca e morno no corpo. 

02. O meu café de - quase - toda manhã. Faço um balde enorme, coloco um episódio de friends na tv e sento de perna pra cima no sofá. Bom dia.
03. Fui estudar no Jardim (meu quintal) e tinha uma menina fofa, de uns dois anos, correndo atrás dos patos e gargalhando tão alto e gostoso que eu ri junto.
04. Na saída do Jardim, resolvi aproveitar meu passe maravilhoso de transporte público e dei uma volta completa no 28. Fui até martim Muniz e voltei pros Prazeres. Adoro andar de 28, os turistas alvoroçados, os lisboetas tarefados, o barulhinho que ele faz...
05. Sentei pra continuar trabalhando e lembrei que não vou precisar me levantar pra fazer almoço porque tenho o-cuscuz-marroquino-que-aprendi-com-a- Iara. (yeah, viciei).

De ontem:
1. preparando uma sugestão de viagem pelas bandas de cá, pra minha tia, fui espiar as fotos e lembranças da minha recente viagem com minha irmã Luana Holanda e, putz, como foi bom. A alegria das boas memórias.
2. O lance que eu usava pra ver filminho no computador não funcionava, aí um querido das bandas daí me deu o link pra ser feliz de novo. A alegria dos encontros nesse mundo virtual.
3. Tava paquerando uma receita, caprichei nos temperos, liguei o forno e meu salmão a welligotn ficou lindo. A alegria de encher a pança.
4. Mensagens dos meus irmãos no zap zap sempre me deixam com um riso bobo na cara. A alegria de ter a família mais amável.
5. Assisti Top Hat. Um musical por semana, um faroeste e um italiano, eu viveria feliz assim. Opa, eu vivo. A alegria de se deixar embalar pelo Fred Astaire...



3 comentários:

Maycon disse...

tamo junto <3

Renata Lins disse...

eu juro que tenho uma peninha de quem acha que é mera armação capitalista do tio Zucka, ou "exibição desnecessária"....

Danielle Martins disse...

Só sei que o Facebook me deixa pertinho de você. #adorotudoisso

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