terça-feira, 12 de agosto de 2014

Cama e Outros Fins

O duro é sair da cama.

Uma beleza: que a felicidade, essa clandestina na vida, suba ao convés de vez em quando.

Uma coisa assustadora: o momento seguinte. Uma coisa saborosa: esse mesmo momento. Tudo que é depois da esquina, depois do agora, depois do depois me encanta. Soltar o corpo e ir. Sem promessas, sem espera. Nomear no a seguir, apenas. Viver como no salão de dança: respeitar os diversos níveis, dar espaço pros demais, soltar o corpo no ritmo da relação e seguir o sentido anti-horário. E não esquecer de sorrir, claro.  


É que o querer, às vezes, pede ternuras.

Eu gosto muito da minha vida. Mas as pessoas desistirem das suas não me assusta nem escandaliza.

Quando penso nele, penso em sua voz ecoando aquele “bom dia” que era mais um desejo que uma constatação. E uma pontada de alegria dolorida que alguns chamamos esperança. Pra mim, fez um bocado de diferença. Sou grata por cada pergunta que ele me fez fazer. E, nos intervalos, aquele descaso com o ridículo. Vez em quando, frente à tela, sentirei falta de alguma coisa sem saber direito do quê. Provavelmente dos personagens que ele já não fará.

Já não é noite, ainda não é dia, a gente estende a mão, sente o morno e murmura como quem receia assustar passarinho na janela: bom.

 Fico desmanchadinha por quem brinca com as palavras.

Não era nada. Mas pode ser só um tanto de melão com presunto de entrada, não é? E umas uvas. E uma saladinha de tomate, cebola e muito azeite. E uma costeleta de porco grelhada. Com umas batatinhas cozidas e salteadas. Pois é.

Revi ontem Despedida em Las Vegas. Além do óbvio: como o Nicolas Cage pode ser tão fraquinho e pegar tantos roteiros bons, fiquei pensando também nessas coisas todas que a gente chama de amor (e não, não estou fazendo escala ou avaliando se tem mais amor aqui ou ali, ou se só é amor se isso ou aquilo). Tava pensando na solidão. Na diferença entre achar-se perdido ou saber-se perdido. Na dificuldade de aceitar a escolha de um outro, sem julgamentos morais, sem usar nossos princípios e valores. Em quão doloroso é fazer nossas próprias escolhas e, de repente, perceber-se vulnerável à demanda alheia. E resistir. A coisa mais bonita de Despedida em Las Vegas é nos fazer recordar que nada, nem o amor, nos salva de nós mesmos.


Um mundo que cabe em uma cama. Tempo, espaço e movimento.


Um comentário:

Anônimo disse...

eu adoro o Nicolas Cage..... Luana

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