terça-feira, 1 de julho de 2014

Para Além do Amor dos Brutos ou Já Saímos Ganhando

Ontem eu vi partilhada no twitter essa foto aí embaixo, junto com a declaração do David Luis. E me emocionei. Em um país onde o machismo é tão naturalizado que é trabalho de Sísifo todos os dias resistir a ele, foi um alento ver/ouvir participantes de um esporte tão calcado nos estereótipos de macheza/homens de verdade se permitirem chorar sem vergonha, se dizerem incapazes de fazer alguma coisa porque estão emocionados (como fez o Tiago), declararem amor uns aos outros. Chorar não é fraqueza, reconhecer limite não é fraqueza, amar não é fraqueza. Nada disso os faz menos ou mais homens, nada disso os faz melhores ou piores jogadores, nada disso os torna menos aptos a estarem na seleção brasileira. Mas, não tenho dúvida, certamente faz com que sejam mais humanos e exemplos melhores.




É possível que não ganhemos a Copa. Não temos um bom esquema tático, há falhas técnicas individuais, dependemos demais de um único jogador. È possível eu não ganhemos a Copa, vamos enfrentar a Colômbia que vem com um time muito bem montado e dois craques, James e Cuadrado. Mas, caso aconteça, não perderemos porque os moços choraram, não perderemos porque eles se amam e porque se reconhecem falhos, Perderemos na bola. E isso, pra quem ama futebol, não é vergonha nenhuma. Perder na bola, pra quem ama o esporte, é alento de um outro dia, um outro jogo, melhor futebol do lado de cá. Podemos perder na bola, mas, por mim, se reconhecermos a importância desses momentos de vulnerabilidade, já saímos ganhando.

Aqui o link da entrevista completa do David Luis. Diz aí se não é um amor.

E aqui o Tostão sendo sábio: Chorar é Bom, link que pesquei da TL da Renata Lins:

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Daí a Daniela dos Santos me mostrou o texto da Mary W e pra quem não sabe a Mary W é musa absoluta e se discordamos em algum aspecto é quase certeza que estou errada. Então o texto tá aqui, pra quem quiser discordar de mim em boa companhia: Chora Aí

Dessa vez eu discordei um bocado. Primeiro que eu adoro o Julio César, laralilá. Segundo que sim, podem até ser incompetentes pra lidar com o que tá rolando (e vamos combinar com jogar com um país do tamanho do brasil nas costas não é de se estranhar o desconforto), mas podiam estar descendo o braço, por exemplo, né? Já teve seleção que fez. O Dunga, em 98, se não me engano, ficava se esgoelando com o Bebeto. Podiam brigar, podiam materializar o desconforto, a incompetência, a imaturidade que seja de outra maneira. Não estou dizendo que eles estarem chorando é uma prova de maturidade do grupo, estou dizendo que chorar, amar, reconhecer a incompetência é uma forma de manifestar a imaturidade e incompetência de uma forma mais benéfica pros estereótipos. Uma forma que eu prefiro.

3 comentários:

mary w disse...

errada tô eu, sua linda. e eu nao tinha pensado nisso que vc colocou, de que eles poderiam manifestar tudo isso com agressividade. lembro da arrogancia de 2006 tb. mas eu achei descontrole demais. mas tem isso. do julio cesar ter a opcao de chutar microfones etc. me lembrei tb. e acabei nao colocando no texto de qdo a selecao brasileira de volei foi campeã, a mari foi pras cameras e disse "é amarelo ouro". aludindo a outra olimpiada, q elas todas e a mari em particular foram "acusadas" de amarelar.

Luciana Nepomuceno disse...

Já não sei nem sobre o que escrevi nem o que tinha pra dizer, recebi visita de luxo <3

Cláudio Luiz disse...

Ler as postagens de vcs é sempre óooootimo. Agora, quando vocês discordam a aula fica magnífica.
;c)

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