terça-feira, 22 de julho de 2014

Nunca Será Dois

Aquele momento que a gente quer, tanto, tanto, ficar. Aquele momento em que a gente quer acreditar que só o gostar basta. Aquele momento em que você sente que sim, sim, pode até dizer: felicidade. Aquele momento em que você cabe na mão. Aquele momento da imensa ternura. E, ali, no cantinho, já está a mala. E o bilhete. Só de ida.

Ai de quem é um e nunca será dois”, canta a Bethania, meu espelho.

Acabei de ficar sabendo que só tem mais Vikings em 2015. Não, não estou feliz.



Quase quarenta aninhos e só agora descobri o bicho com o qual me pareço pra responder nos disparates (vocês respondiam disparates nos cadernos das amigas?): caramujo, né. Leva a vida nas costas e se encolhe todo quando o mundo dói demais.

Eu gosto de chuva. De ouvir. Batuca nos telhados e sussurra os nomes que não ouso. Gosto de ver, escorre no vidro, parece as lágrimas que não choro. Gosto do banho, o pingo na pele, a força das calhas, o leve mormaço, chapinhar nas poças - a pessoa que quero ser todo tempo traz no peito essa que rodopia na chuva. Acho fofinho e muito estranho quem nem pensa em “esperar a chuva passar” pra sair e fazer alguma coisa. Um atestado geográfico. Toda uma intimidade com ela. Uma certeza: ela estará sempre por perto. Eu não, nordestinamente penso que tem que aproveitar bem esta, porque, né, quem sabe quando será a próxima? Aproveito esta: vejo e escuto. Quando está quase terminando, vou pro chuveiro fazer de conta que (porque banho na rua aqui nunca vi nem comi e nem ouço falar).

Uma vida vivida, uma vida inventada. E a escrita, linha e agulha dessa colcha de retalhos. 

Ou apenas: nunca se esqueça de apagar os rastros.


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