sexta-feira, 25 de julho de 2014

Dos Ralos

Eu andei sumida. Algumas pessoas perceberam isso no que costumamos chamar realidade e foram gentis o bastante pra me procurar. Mas nem é exatamente desse sumiço aí que se trata. Eu andei sumida em mim. Sabe aquele grupo de coisas mais ou menos estável que a gente se acostuma a chamar de “eu”? Pois é, esses parangolés andaram sei lá por onde, só sei que não era aqui. Eu espiava “dentro” de mim e não encontrava nada familiar. Não encontrava o riso fácil. Não encontrava a pollyana. Não encontrava o mar, o café, a manga escorrendo no queixo. Não encontrava nem a vontade de cozinhar. Só encontrava o que, na ausência de uma palavra melhor, vou chamar tristeza. E eu nunca aprendi a ser triste. Claro que já fiquei triste, já perdi gente querida, já briguei com namorado, já senti saudade da família, já tanta coisa. Mas essa era uma tristeza diferente. Uma que eu não encontrava palavras para a dizer. E se não digo, engasgo. Mal conseguia respirar e só esperava que um dia acabasse, mas sem começar o outro, sabe como é? Só queria dormir, mas não conseguia dormir. E não era nada com a vida. Como eu escrevi pra gente querida, a vida estava bem, eu que não estava bem nela. Foram dias de silêncio e alguma dor.  

Mas eu sempre gostei do Vinícius sussurrando que “é melhor ser alegre que ser triste” (e como o mundo às vezes rima com nosso bem querer, hoje uma amiga querida disse-me exatamente isso) e me preparei pra emergir. Repetindo vezes e vezes, até quase me convencer: vai ficar tudo bem, vai ficar tudo bem, vai ficar tudo bem. E aí, entre tantas coisinhas miúdas que fui incluindo na lista do “save Luciana” resolvi fazer panqueca. Massa pronta, frigideira no fogo, essas coisas todas. E aí o liquidificador virou. Virou nada, despencou no chão. Sei lá como não quebrou. O que eu sei foi que ficou assim:



E, né. Eu tinha que rir ou chorar (porque, além disso, tinha que limpar, nesse aspecto não tinha escolha). E escolhi rir (e tomar banho de chinela e tudo, porque, olha, eu tava uma meleca só). A bem da verdade, acho que o riso me escolheu. Ele veio vindo, veio vindo, voltando pro lugar de sempre, sacudindo o corpo, ecoando dentro e fora. E é isso, amiguinhos. Não sei se a tristeza vai toda embora, mas vai precisar se espremer num pouquinho porque “eu” estou voltando pra mim. E eu sou espaçosa pra caramba.

Então, esse post todo é pra dizer: sobrevivi. E mais: obrigada a cada um que perguntou por mim, que me cutucou, que me marcou nas publicações, que disse meu nome. Vocês me saberem me mantem viva, me mantem eu. Ah, bom, é pra dizer, também: putz, que dureza viver sem ralo.


7 comentários:

Ana Paula disse...

Comassim, a gente não vai vir aqui ler o post todo? ;)
E olha, você é forte. Porque eu, tivesse sido comigo, tinha sentado no cantinho e chorado até lavar o chão da cozinha de tanta lágrima. Depois levantava, limpava tudo, ficava bem zangada e nesse processo aí, emergia. Mas antes, pffff...

Fernando Amaral disse...

Panquecas no chão!

Ana Vieira Blystone disse...

Quando crescer quero ser assim: sujar tudo e rir, ainda sou muito colérica.
Repetindo, só pra ter certeza que chegou no destinatário: te amo. te amamos. <3

Renata Lins disse...

Borboleta, tem essas horas também. E aí ficar quietinha, fazer devagar as coisas, parar... não se exigir mais do que dá, andar de passinhos, ouvir música lenta. Chorar um monte. Deixar escorrer. Apertar o travesseiro....
e... vai voltando de pouquinho, de repente tem uma janela batendo, e tá sol lá fora, dá vontade de ir ver.
Que bom ver você por aqui de novo. A gente tava morrendo de sentir falta.
Beijo grandão.

Juliana disse...

Que bom que vc riu, pois eu choraria uns 3 dias. =)

Cláudio Luiz disse...

Obrigado.

Anônimo disse...

É melhor cê alegre q cê triste...

Luana

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