quarta-feira, 11 de junho de 2014

Calçada do Duque


Eu não sei se já falei: tem a Calçada do Duque. Aquele lugar que eu nunca me lembro de passar a não ser quando não esqueço. E aí. Sempre tem uma beleza. Uma alegria. Um lençol secando na varandinha da frente. Sempre que me perguntam se eu não pretendo ficar morando na Europa, logo depois de dizer meu enfático não e rememorar deliciosos nordestes sinto um aperto no peito pelos lençóis pendurados nas varandinhas da minha Lisboa.



Tem coisa tão bonita que devia ser verdade.

Eu suspeito que fiz uma besteira. Enorme. Daquelas que só nos resta duas coisas: lamentar o resto da vida ou fazer de conta que desejava as consequências que, não tenho dúvidas, virão. Já comecei a brincar de faz de conta.

Um dia seremos desbotados esquecimentos. E daí? Hoje dormimos de mãos dadas.

Na vida real, dobrando a esquina do jogo de palavras, comecei a fazer tabelinha com trechos das entrevistas feitas no Brasil. Parece que, para além da copa, #VaiTerTese.

Não chove, mas devia. Não choro, mas queria. Necessito da umidade. Quero a salgada possibilidade de ver um mundo enevoado.

Eu escrevo pra me convencer, acho. Só não sei direito de quê.

Quando eu tinha 20 anos era magra, boba e orgulhosa. Continuo boba, mas ganhei estrada e quilos. Aprendi que ser sovina com amor é burrice. Hoje digo "eu te amo" com a insana alegria dos perdulários. Também descobri a beleza de dizer: eu preciso. Eu preciso de você. Eu preciso do seu amor. Sou, assim, pedinte do que esbanjo. E me alegra. 

Temo abismo. E eu vou, vou, vou chegando na beirada, Daí eu pulo? Não, eu me empurro.

Eu sigo ignorando todos os sinais porque vai que não são sinais e sim rabiscos aleatórios?

De tantas miudezas culturais a serem ajustadas uma que levei mais tempo (acho que nunca fechei isso, aliás) foi passar o sanduíche do masculino para o feminino: a sandes, as bifanas. 




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