sexta-feira, 6 de junho de 2014

Arrepare

Arrepare: Resolvi mudar a cara do blogue. Tá meio blé, mas eu queria sair da minha zona de conforto. Espero sugestões, pitacos e ocasionais xingamentos. O resto, arrepare não, como canta Ednardo. Ou repare, a vida também se faz nas entrelinhas.


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Para males diversos – inclusive de amor - recomendo: romances policiais.


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Sopa de abóbora com gengibre e curry. Eu nem me reconheço.

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Quando a vida blábláblá limões, bla blá faço uma caipirinha. Mas, olha vida, se eu estivesse bebendo todas as caipirinhas feitas já estava super embriagada cedo da manhã. Se quiser maneirar, fico de boua. Agora quando as caipirinhas não estão mais adiantando, revejo o primeiro episódio de Fringe. Minha dica: segura na mão do Walter e vai.


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Sabe o baby da família dinossauro? Você precisa me amar? Eu souOPAeu sei.


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"Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieto e agitado: descobrirei o preço da felicidade!" Pode ser que o Pequeno Príncipe esteja meio demodè, pode ser que essa relação me lembre mais a cobra que a raposa, mas o fato é que. Estou. Feliz. 

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Ele se volta exasperado, evitando a resposta mal-humorada que se forma na ponta da língua. Será que já não se pode ter um tempinho pra fazer o que se tem pra fazer? É um tal de venha logo jantar senão esfria e a que horas mesmo você vai trocarogás-arrumarapia-consertaraestante? que não lhe resta muito pra dedicar-se à máquina. E, no entanto, ele vislumbra, rasgando o suburbano véu do seu viver, que há uma coisa que precisa ser dita. Ser escrita. Por ele. Só por ele, ela, a tal frase, pode ser escrita. Uma frase que - e ele quase se engasga com isso, como se engasgou com a grosseria que não disse - uma frase que pode mudar. Mudar o quê? Ele não sabe. Ele só sabe que precisa escrevê-la, lançá-la para além da vista de sua janela: um muro. É assim toda a sua vida, cercada de impossibilidades. Ele tem tanto guardado, mas suspeita que já nem encontraria, no labirinto que se tornou, toda essa riqueza prometida. Mas a frase, ah, a frase vai transcender o velho abajur de ferro, vai transcender a vista da janela, a máquina comprada de segunda mão, a blusa de má qualidade, a mesinha apertada no canto da sala, o aquecedor que resfolega como um corredor cansado, vai transcender todos os chamados insistentes para comer antes que esfrie. A frase que ele sente entalando as respostas todas. A frase que o engasga e que potencialmente o redime. A frase que tirará a impaciência dos olhos e se ouvirá como um suspiro alto. Por enquanto, segue, pão com café, metrô, funcionário de oito às dezoito, metrô e alguns poucos minutos junto à máquina, esperando que a frase chegue antes do venha jantar antes que esfrie. O muro, depois da janela, parece o desafiar. É por isso que, quando se irrita, ele lhe vira a cara. Não quer saber que o muro é um espelho.

Um comentário:

Juju M. disse...

Ah, essa música do Ednardo está tocando aqui há umas boas horas. Por que sexta-feira, ainda que chuvosa, parece com não morrer.E que a frase chegue para nós, antes que a vida esfrie.

Lindo!

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