sábado, 7 de junho de 2014

Arrepare II

Por causa da Tassia e da Renata, 
cada uma à sua maneira

Eu sempre recomendo romances policiais para males diversos, especialmente os de amor. E, aí, dessa vez, uma amiga me interpelou: e por quê? Eu nunca tinha elaborado. Era uma coisa mais de intuir que de dizer. Mas ela perguntou, eu tentei pensar sobre. Quando uma relação acaba ou nem, quando está tudo muito dolorido, é aquela confusão nos sentidos. Tudo em carne viva e as pessoas se perguntando e se? Mas porque? Foi alguma coisa que eu fiz? Será que? O amor é labirinto sem fio de Ariadne. Sem nem mesmo as migalhinhas de pão do João. Amor não tem resposta única. Não tem verdade. Quanto mais se olha pra trás e tenta desvendar o que e como aconteceu, mais perdida a pessoa fica. Já o romance policial faz sentido. No mundo dos romances policiais há uma pergunta central e uma resposta única. A verdade. Um desenlace que se a gente não pegou de primeira, volta e espia: vai ter um fio condutor. As pistas estavam todas lá, a gente que não tinha visto, mas com calma, analisando bem, arrá, era isso. O romance policial acalma. Acalenta. Coloca um pouco de ordem – mesmo que temporária e transitória – na bagunça que é o sentir. O romance policial é um desafio intelectual. A gente pode pensar sobre. Ou se deixar levar, como quem faz uma visita guiada: à direita vocês podem ver um suspeito inocentado, reparem que seu ar suspeito é, na verdade, efeito da azia. A gente tem essa fome: de conhecimento, de verdade, de saber. E viver é aprender que não tem resposta fácil, que a gente não vai saber tudo e que a verdade é uma construção. E amar é aprender isso tudo sem pele. Mas o romance policial, ah, por um momento a gente pode, sabe, responde.

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Acende o forno. Corta a abóbora em pedaços médios, coloca  em uma assadeira, tempera com azeite, sal e pimenta do reino. Por enquanto, refoga: cebola, alho, alho francês. A seguir, um pouco de gengibre em pó e curry. Deixa cheirar. Uma taça de vinho verde. A abóbora já ficou molinha? Amassa e coloca aí junto do refogado. Mistura bem. Borbulhou? leite de coco. E come. Pode colocar salsa pra enfeitar, fica bonitinho e gostoso.

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Fringe me lembra os livros da Agatha Christie. Eu explico. Nos livros da Agatha a gente tá ali lendo sobre um assassinato e sangue e tudo. Mas. Assim, na verdade, é de amor que ela tá falando. Fringe também. É uma série de amor. Sobre amar. Especialmente amor à nossa humanidade. Gosto demais das fragilidades. Das imperfeições. Fringe é meio sobre isso: sobre como somos malucos, complexos, frágeis e absolutamente adoráveis. Gente. A outra coisa que gosto em Fringe é que Walter adora comer. Tá comendo até quando a gente nem lembra disso. É sensacional. E humano. Again.


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Uma das coisas que me faz ser quem sou é que cresci em uma família em que se fala, se faz, se mostra amor. Aprendi que eu e minhas demandas seríamos questionadas, analisadas, mas sempre acolhidas. E que eu seria, sempre, aceita, com minhas falhas e tudo. Aprendi a dar amor. A receber amor. E a me jogar no chão, dramática, matando todo mundo de vergonha e dizendo que nem o babyssauro: você precisa me amar. 

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Tem tanta coisa que gosto no Pequeno Príncipe que me dá um dó de vê-lo reduzido a esse monstro opressor das relações baseadas no compromisso da eternidade. Enfim. Uma das coisas que me comovem é a relação com a finitude. A abertura pra ela. A aceitação inquisidora. O diálogo transparente. E a pergunta, tão humana, tão minha: será que dói? E, claro, a sensualidade de Bob Fosse no filme acrescenta muito à relação vida-sexualidade-morte e acentua meu xodó.



3 comentários:

stella disse...

FIIIIIIIIIIIIA!!! foi daí que o Michael Jackson tirou aquela pose! ói os pezinhos!!!

Renata Lins disse...

Livro policial: obra fechada. Obra da ordem. Conservadora, nesse sentido aí. "o mundo que faz sentido". Que se resolve no final. Quando eu estou muito, muito mal, só consigo ler Agatha Christies que eu já li.
O conhecido, de novo. Pra me pegar pela mão e me fazer caminhar pela estrada do "na última página a Miss Marple - o Poirot, os Beresford, alguém - explica tudo."
Luciana me lendo que nem livro aberto. Porque tem o parágrafo do Pequeno Príncipe também....

Maycon disse...

encontrei o que tava procurando.
obrigado, lu.
beijos

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