quarta-feira, 25 de junho de 2014

A Palavra é: Saudade


Deu saudade. Das bandeirinhas, do mugunzá, das canções. Deu saudade das pequenas confusões, das fogueiras, do cheiro de milho assado, do triângulo. Do choro da sanfona. Deu saudade de quem sou, lá, da minha gaitada fora de hora, do meu conforto, dos gestos largos, da fala inteira. Deu saudade de um lugar que não mais será, que eu nem sei se foi, mas quase. Deu saudade dos passos afinados, sem firulas, aconchego. Deu saudade das quadrilhas, dos suores, do olhar pro céu. Do complemento: meu amor. Saudade da chita, das barraquinhas, dos pratos molengas de plástico sustentando vatapá e baião. Saudades da paçoca de sempre gostosa como nunca. Saudade até da saudade de lá, sacudir a cabeça, sussurrar: mas no ceará... tudo tão mais perto, tudo tão mais meu, tudo tão mais eu e eu nem sabia. Todos os dias, saudar a saudade como quem se despede e abrir o peito pro que agora está: sardinhas, marchas, outras cores nas bandeiras, outras ruas, outros sons, outra língua. E eu, convocada a ser menor, menos gestos, menos risos, menos ditos. Não olhar pro céu. Outra, outros. E tudo bem.Mas hoje não, hoje olhei pro céu, imaginei como ele devia estar – lindo! e deu saudade. Meu amor.

Pessoas que precisam ter a última palavra: já fui uma delas. Não sinto saudades.

Tenho enorme pena de saber que, um dia, ao sentir saudades, vasculharei a memória e encontrarei viagens, presentes, neve, lagos e afins. Esquecerei o estofo do bem querer, as miudezas diárias de delicadeza e ternura. As coisinhas que fazem eu ficar, a cada dia, um dia a mais.

Eu não sei vocês, mas acho que vou ter crise de abstinência quando essa Copa acabar.

Saudade mata a gente, menina:

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