quinta-feira, 8 de maio de 2014

Sete de Mim, digo, de Maio


“Filhos: há que se ter essa coragem: 
ir e deixá-los, deixá-los ir.” (Renata Lins)







Hoje é aniversário dele. Do meu menino. Olha aí, ai, o meu guri, olha aí, olha aí, é o meu guri. Meu. Quem dera, mas mãe tem direito de se enganar às vezes não é? Faz de conta que. Só um pouquinho, agora, quando a saudade faz tanto barulho no peito, faz de conta que ainda somos um abraço. Faz de conta que é sua cabeça no meu colo. Faz de conta que é sua mão na minha no caminho da escola. Faz de conta que é você, lendo comigo, rindo comigo, implicando comigo, dizendo daquele jeito meigo que gosta de tudo que eu cozinho. Faz de conta que é tudo um agora.

Então, olha aí, é o meu guri. Claro que eu quero meu filho adulto, maduro, independente, capaz. E o quero também bebê, mão na minha mão, precisando de mim. E a cada dia menos perto desta lembrança ele fica e pra mais perto do futuro ele vai. Já está ali, enorme, mochila nas costas, respostas ríspidas na língua, paqueras. Mas também ainda está aqui, querendo beijo, colo, atenção. Aqui e ali são sempre o mesmo lugar: meu coração. Tenho um filho, mas saber como é ter um filho eu não sei. Não sei mesmo. Não o entendo, não me entendo, não entendo nada. Mas sinto. Sinto tudo, sinto tanto que talvez por isso não entenda nada.

Olha aí, é o meu guri. Ele cresce em corpo e sabedoria como é suposto, cresce em beleza e vida. Cresce em distância. Pra ser ele, ele é cada vez mais um outro, cada vez menos eu, cada vez menos meu. Dizem que dói crescer. Não sei, não sei se dói crescer, mas dói uma dorzinha fina ver nosso filho crescer. Uma dorzinha boa, quase gostosa, mas ainda assim uma dor.


6 comentários:

Iara disse...

Parabéns, Samuel!

Lu: <3

Cecilia disse...

Que delícia de post! E fala sério, também é uma delícia ser mãe, né? Uma aventura, pelo menos. E eu te admiro demais nesse papel, assim como nos outros. Parabéns pro seu Samuel, parabéns pra você também, pelo seu aniversário de mãe! Beijocas

Renata Lins disse...

Lu, beijo tão grande, que senti a saudade do Samuel junto com você, e a saudade do meu guri (o "meu") que já tá tão grande e pra quem também fiz opções assim, de deixar, de ir. Viva você, viva ele.

Tina Lopes disse...

Que lindo, Lu, me fez suspirar e sentir um pouco dessa dorzinha (que tenho tentado ignorar, já).

Renata Corrêa disse...

Samuquinha tem a mãe mais porreta do pedaço. :-)

Samuel Holada disse...

Renata Corrêa :Eu sei ,sempre soube
obrigado mamys comigo sempre
te amo

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