quinta-feira, 22 de maio de 2014

Mas tinha que respirar

"Não me acorde. Estou cansada.
Vou dormir até morrer".

Escrevo assim: eu gostava de ficar com você. Mas já não sei em que português é que conjugo isso.

Esse pileque homérico no mundo e eu aqui, amiudando o sofrer. 

Estou cansada. Muito cansada. Cansada de tentar. De querer. De estar. De não conseguir. Cansada de não saber. De esperar. Cansada de ser insuficiente. Cansada de não ser o bastante. Cansada de só me permitir ser feliz. Escrevo, letra a letra, para não esquecer: não sirvo, não presto, não consigo.

(Não é legal quando tentativa literária vira vida real? não, não é.)


Eu sei, eu sei, Gonzaguinha. Mas eu gosto, me deixem. Talvez porque eu tenho esse lado meio Sandra Rosa Madalena. Talvez porque ele faça cantar, um tom acima, as dores que nem consigo sentir inteiras.

Se eu não tivesse visto, ouvido, sentido com Cristina. Se eu não tivesse chorado com ela.  Se eu não soubesse a falta que eu sentiria de mim, talvez não estivesse desocupando o peito.

Não é que não vá doer. Não é que eu não esteja chorando. Eu só não consigo fechar os olhos. Devem ser as borboletas.




Parece que é só lembrar de respirar -  digo, pra mim mesma, todas as vezes em que consigo tirar a cabeça de dentro d'água.



2 comentários:

Renata Lins disse...

Lovealways4ever.
E se precisar tem colo e ouvido tb.
beijo grandão.

Juju M. disse...

Doeu aqui, também "cansada de só me permitir ser feliz". Gostaria de apenas ser, sem ter que permitir. Seria isso?

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