quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Dos Calendários

São muitos dias, sabemos como quem sente, antes de. Mas, corajosos, ainda os contamos: em semanas, em dias, em horas. Em faltas que adivinhamos. Nos consolamos com fórmulas vazias: passa rápido, com a cabeça ocupada a gente nem nota. Eu minto um pouco melhor, percebemos. Gosto de ouvir sua voz, faz parecer que estamos perto. Não, não faz, seria melhor estarmos perto a sério. Eu rio, você faz silêncio e o ponteiro dá um pequeno salto.

Eu não sei como dizer. Eu não quero planos, promessas, investimentos. Não quero expectativas, olhos no futuro, projetos. Não quero essas palavras que você diz, num solavanco de afeto. Prefiro combinar o próximo fim de semana. Mesmo que entre o agora e o próximo seja todo esta saudade.

Do querer bem: a pessoa pergunta se você vai se comportar e você quase responde que sim. Quase. (Dos esclarecimentos: o querer bem é segurar a vontade de atender à demanda, recusar ser a banda da laranja, evitar o papel de tampa da panela, é não responder o que seria alívio e sim lançar-se ao risco, ao riso, ao vivo).


E, quando voltar, espero: tua mão. Tua mão em sim. Tua mão em mim. Tua mão, desconstruindo as certezas, as esperas, as tristezas. Assim: tua mão por todos os lados, sem deixar opção a não ser caber na palma. Tua mão, desfazendo as saudades. Tua mão, desmanchando horizontes. Tua mão, desinventando futuros. Tua mão no corpo, no colo, no canto obscuro do querer. Tua mão sem som, sem intenção, sem amanhã. Tão cedo, tão certo, quero: tua mão.

Ela mexe as agulhas no ritmo do ponteiro do relógio. Vai, ponto a ponto, tecendo a manta que agasalha suas noites de solidão. 


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