sábado, 21 de dezembro de 2013

Diário de Bordo: Esquiar, essa atividade biscate

Uma das coisas legais de estudar em outro país é fazer coisas que provavelmente eu nunca faria ficando em casa, como esquiar, por exemplo (especialmente se você for esnobe e ignorar a super modalidade esquibunda). Então, na vibe de dividir aprendizados e belezuras com vocês, vou contar que estes dias eu fui esquiar. Bom, pra ser mais precisa eu fui pra uma estação de esqui. O que eu fiz lá não sei se dá pra chamar de esquiar. O que eu descobri? Esquiar é uma actividade muito, muito, muito biscate. Porquê?

a) Uma coisa é certa sobre esquiar e biscatear: vai doer. Você vai cair algumas vezes. Às vezes tem uma mão pra ajudar a levantar, às vezes não. Tem uns machucados mais leves, outros demoram a passar. Biscates e esquiadores vão ter umas cicatrizes, nem sempre visíveis;

B) no esqui e na biscatagem, depois que pega embalo, o segredo é manter as pernas abertas

c) …não ter medo

d) …saber quando cair pra evitar machucar outras pessoas…

e) …e aproveitar cada momento porque é gostoso paca.



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Esquiar tem que aprender a cair. Eu não aprendi. Não por falta de oportunidade, claro. Os dez primeiros minutos foram duas quedas, dois minutos caindo, oito tentando levantar.

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Pra esquiar a pessoa precisa de: preparo físico, equilíbrio e uma certa seriedade. Vocês já podem imaginar como eu me saí.

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Tem coisas que nunca nos contaram sobre esquiar (ou nunca me contaram, vai saber):

a) esquis pesam. E a gente anda e anda e anda com eles nas costas. Do carro que fica estacionado longe e longe até a sede pra pagar o ticket e de lá até onde começa o lance propriamente dito. Pesa, gente, pode acreditar.

b) mas se só os esquis pesassem, nem por isso. As botas próprias pra esquiar só podem ser feitas de chumbo. Você se concentra: “levanta pé”… e nada. E além do peso são difíceis de calçar e quase impossíveis de tirar.

c) Os óculos embaçam. Ou estão molhados. E se estiver nevando tem que puxar o capuz. O certo é que a gente vai enxergar bem pouco.

d) colocar o esqui é pra quem tem equilíbrio e força: depois que você encaixa a primeira bota é recomendável não encostar o outro pé no chão. Facinho, facinho, com aquele chumbo puxando seu pé pra baixo.

e) tirar o esqui é pra quem tem mira. Especialmente se você está deitada no chão, morrendo de rir depois de se estabacar no chão.

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Mas, eu sei, eu sei, vocês querem o relato da experiência. Pois bem. Certifique-se de usar uma blusa térmica e um casaco a prova de tudo (nem pensar em roupas pesadas, porque esse lance de esqui é um esforço danado e a gente cansa…se estiver com roupa pesada, é um trabalho a mais). Eu sabia isso? Lógico que não, mas saber quem sabe ajuda, né. Depois fui alugar uma bota. Se eu, que não tenho muitas vaidades, fui pensando em cores e estilos, imagina aí. Só que você chega lá e o lance é: cabe no pé? Ótimo. Não tem negócio de cor nem modelo, a única coisa que importa é encaixar. E, de preferência, você poder carregar (quando eu peguei naquele lance tinha certeza que nunca ia conseguir levantar o pé do chão). Estaciona-se o carro e eu penso: oba! Aí tem que calçar aquela bota-chumbo, andar com ela e carregar o esqui no ombro e o oba vira aaaiii! Daí chego na estância e começa a humilhação. Crianças de 05 anos desinibidamente descendo encostas escarpadas e eu não consigo nem ficar em pé direito pra encaixar o esqui. Muitas risadas depois, uma aulinha básica sobre como deslizar o esqui na neve para subir e uma tal cunha que se faz com as pernas pra diminuir a velocidade quando se está descendo. Com muito esforço, usei as dicas sobre subida e lá fui eu, pra cima, pra cima, pra cima (ou seja, pra uma pequena rampinha pra iniciantes). Lá chegando: pra baixo, pra baixo…não, não morrinho abaixo, eu abaixo, duas quedas e um monte de tempo tentando tirar o esqui, levantar, encaixar de novo e seguir. Não sei dizer quantas foram as quedas no primeiro dia. Mas foram diminuindo gradativamente até a pessoa me olhar e dizer: vamos na pista! Eu devia ter suspeitado daquela animação toda. Fomos no tapetinho (e essa foi a parte que eu consegui ficar em pé). A pista era inclinada e movimentada e eu fiquei aterrorizada com a ideia de matar atropelada uma daquelas lindas crianças. Resultado? Chão, chão, chão. Só saí de lá depois que me apresentaram o melhor jeito de esquiar do mundo: o moço fica na frente, eu coloco meu esqui entre os esquis dele, apoio meu corpo no dele e voilá. Tem um pequeno problema: a gente enão vê nada à frente. Aí, claro, tem um truque: confiar. Ele confia que você confia, você confia que ele vai te levar em segurança. Depois, é só manter o ritmo. Pena que esquiar não é sempre assim. Voltei pro meu lugar de “debutante” e lá, deslizei com certa graça (ou seja: sem cair). Depois eu ouvi meu corpo todo reclamando e fui sábia: arrastei as botas até a cafeteria e fiquei tomando chocolate quente e lendo jornal espanhol até a estância fechar e ser hora de ir embora. O outro dia eu conto depois (mas adianto que só caí uma vez).

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Se eu aprendi a esquiar? Claro que não. Mas a me divertir, praticamente nasci sabendo.


4 comentários:

Iara disse...

Adoro o final do post, embora seja uma informação nada nova pra mim. ;)

Palavras Vagabundas disse...

Concordo com o comentário da Iara, adoraria ouvir suas gargalhadas na neve.
beijos
Jussara

Lica disse...

E eu fiquei rindo da "actividade". Outro dia rio do resto.

Allan Robert P. J. disse...

Gosto de estações de esqui, mas um tornozelo destruído me proíbe sequer de olhar prum esqui. Os tombos são a mlehor parte.

Feliz Natal!

:)

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