quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Da Gratidão




Esse fim de semana, conversando com a Luci, falei de um outro tempo (o mote era a finura dos braços). Passou o assunto, mas o tempo ficou em mim. A beleza daquele instante. E a beleza de já não ser. De ser outro. Outro tempo, outra eu nesse tempo. Muita coisa muda na minha vida. E eu gosto. Mas tem coisas que permanecem, entre elas o riso e minha gratidão. Parece bobo ser grata? Pode ser, mas eu tenho tantos motivos. Sempre tive. Até onde a vista alcança, é prazer. Existiram abismos e olheiras e sangue e vazios? Sim, quem nunca? Mas o que fica é o bom. Por isso sou grata e não reluto em dizer de novo:

Sou grata. Grata pelo amor de quem ficou. Grata pelo querer bem de quem vem. Grata pelo afeto de quem já não está. Grata pela panela no fogo, pelo vasinho na janela, pelo mesmo filme na tv. Grata pela alegria de mais uma passagem de ano nessa cidade. Grata pelo privilégio de ter Fortaleza pra sentir saudade. Grata por sentir saudade, por saber saudade. Grata pelos amigos de Mossoró. Grata pelos amigos de todo dia. Grata pelos amigos do quase nunca palavra, todo tempo amor. Grata pelas cartas e postais que atravessam mar. E pelos que os remetem. Grata pelos grupos virtuais, que eu nem sabia que podiam laminar a vida. Grata pelos da biscatagi, que ajudam a colocar tudo em seu lugar. Grata pelas caixinhas azuis, onde posso ser boa, má, rir e lamentar. Grata por novos projetos que caem no colo. Grata por uns que eu suspeito que nem me sabem, mas me dão riso e reflexão. Grata pela beleza da letra da amiga que azuleja estradas. Grata pela elegância do traço da menina que desenha desafios. Grata por quem diz: gosto. Eu nunca deixo de me comover. Grata por uma mãe que me ensinou a dizer eu te amo. Grata pelo menino do Peru que me ensina a ousadia. Grata pelo meu ex marido e sua companheira que são rocha pro meu filho. Grata pelo filho amoroso, inteligente e esperto. Grata pela família de risos. Grata pelo pai e as histórias. Grata pela possibilidade de amar com intensidade irmãs, irmão, cunhada, sobrinhos, cunhados. Grata pelos sobrinhos, um querer bem que parece nem caber no peito. Grata pelas tias, que nem sabem que eu sempre quis ser elas. Grata por essa família que me vê e por eu me saber melhor nesse olhar. Grata pelo amanhã, pelos retornos. Grata pelos caminhos. Grata pelo nariz na nuca. Pela mão quente. Grata pelo azeite farto. Pela lua cheia. Pelas calçadas cheias de som. Grata por ter tanta vida vivida. Grata pelos anos todos, 38 e cada um tão cheio do bom. Grata por aprender. Por reconhecer. Grata pela luz que já se despede da janela. Grata pelo morno no peito, pelo sal nos olhos. Grata por sentir falta. E por não. Grata pelo que ainda preciso e me impede de não ser. Grata pelo que já tenho e me faz, assim, esse eu. Grata por todas as palavras e pelo impossível de dizer. Grata.

XXXXX

E amanhã tem lançamento em Florianópolis (quer ir? 19hs, na Livraria Nobel). meu coração faz batucada, mesmo distante. Não pode ir ao lançamento, mas quer comprar? É fácil: manda mail pra contosdopoente@gmail.com. E vai na nossa página no FB pra acompanhar as novidades... 


3 comentários:

Juju M. disse...

Lu, que notícia boa, filho novinho saindo forno! Parabéns!! E texto lindo como sempre.

Juju

misael alves Alves disse...

Grato pelo texto.

Palavras Vagabundas disse...

Eu sou grata por muitas e muitas coisas entre elas por ter conhecer e poder ler tão lindos textos.
bjs
Jussara

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