quarta-feira, 6 de novembro de 2013

No Jardim

 É bem como a injeção na infância, a gente até sabe que é pro nosso bem, mas dói um bocado.

Aí eu lembro que tenho muita sorte, procuro o azul e sinto que logo, logo, vou voltar a respirar.

Tá na hora de chamar a JulieAndrews.

Todo mundo discutindo coisas tão importantes e eu só queria que meu pé de manjericão sobrevivesse.

Tá bom, vida, eu já entendi que você é da zoeira.



 Hoje fui até o jardim. Não o meu grande quintal, o outro, miúdo, íntimo, cheio de idosos jogando alguma coisa, gamão, dama, conversa fora. E tem o quiosque e as meninas mulheres bebendo cerveja, fumando e papeando. Sentei no banco e deixei que o vento me trouxesse os fragmentos de riso, medos, inseguranças, carinho, todas aquelas palavras que eu já disse, já ouvi, já precisei, já esqueci. Tão, tão bonitas essas mulheres meninas e tudo que ainda vão viver. Tão bonitas nos seus gestos animados ou doloridos, na sua impressão de que já passaram por tanto, não, que já passaram por tudo. E ainda há tanta vida pra saber. Não sei ao certo quantos anos devem ter (nunca fui boa em calcular idades). Mais de 20, menos de 40. Tanta vontade de chegar lá e dizer: vocês são tão lindas, não precisam ter medo, entreguem-se pra vida que ela se dá pra vocês. Daí lembrei que a beleza da vida passa, também, pela construção e desconstrução dos medos e das vontades. Passa pela coragem gestada nas noites de lágrimas e sombras. Passa pelas horas nos jardins, com as amigas, com as cervejas, os cigarros e a certeza de que tudo é tão, tão importante. E, naquela hora, é.



 Porque é tão mais fácil fazer de conta que o problema é outro. Um que todo mundo entenda fácil. Que encontre solidariedade instantânea. Não fingir, mas também acreditar que. É preciso que doa de verdade e eu sou boa nisso. Sangro. Gemo. E há colo e amor e setas. Eu podia ficar assim. É tão bom ter a sensação de ser entendida. De ser encontrada. Trocar o sintoma que me é por aquele que me tomam. Mas não se sustenta. Mas não me sustenta. A dor que sou, não aprendi a nomear.


 E o segredo é só esse: saber o que realmente importa. Às vezes eu esqueço. Às vezes eu escuto o que realmente importa pra outras pessoas e, como são pessoas que eu amo, admiro, quase acredito que aquilo também importa pra mim. Aí pesa. Aí dói. Voltar ao básico: eu. E tudo aquilo que não sei dizer, mas faz batucada no peito.



Mas, em certos crepúsculos, queria que as respostas fossem as mais fáceis.

Um comentário:

Renata Lins disse...

tem esses também...
mas aí, respira, mergulha, gargalha e vai...
:-)

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