sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Mas Tinha Que Respirar

Eu continuo por aqui, escrevendo e escrevendo, cada vez com menos coisas pra dizer, cada vez com mais vontade de.


E, finalmente - como um susto, não, como um alívio - eu descobri o que é que tem na Cristina Yang que me toca tanto.


Uma conversa boa.  Uma frase certeira aqui, uma risada precisa acolá e – pronto – eu já sinto as amarras um pouco mais frouxas.


É que eu não sou do cinza. Das amarguras. Das desesperanças. Não que eu não tenha minhas sombras, tenho-as, enormes e meio assustadoras. Não que eu não tenha minhas dores, meus vazios, minhas hemorragias. Mas, quase sempre, é sol no peito. Quase sempre é bom. Quase sempre é riso. Quase sempre é dia. Parece que hoje é.


Na clínica, não importa se o que o analisando está dizendo tem ou não correspondência com a Verdade. Ouve-se como ele diz, o que escolhe contar, o que esquece de dizer. O que ele elege como verdade, naquele momento e como isso está implicado no que ele faz, agora. Foi meio engraçado quando descobri que sempre toquei, mais ou menos assim, meus relacionamentos.





E eu fiquei aqui, sentindo toda essa solidão de não ser mais. Fiquei aqui, com esse labirinto feito de todas as palavras que não vou dizer. Fiquei aqui, abraçada a papéis em branco que não tiveram tempo de se fazer bilhetes, fotografias nem histórias. Fiquei aqui, com aquele copo pela metade, a conversa inacabada, os olhos ocos de nós. Fiquei aqui, porque fui tantas vezes. Estive nas esquinas. Em todas elas, esperando você me achar. Fiz-me em convites. Em promessas. Até que. É isso: estou aqui. Fico aqui. Aprendendo a soletrar saudade sem as letras do seu nome.



Parece que é só lembrar de respirar -  digo, pra mim mesma, todas as vezes em que consigo tirar a cabeça de dentro d'água.

E tem, também, aquela cena, na sexta ou sétima temporada em que ela conta que, durante o relacionamento, deixou que ele fosse arrancando pequenas partes dela. Até que ela está lá, apertada no vestido branco, sem sobrancelhas e percebe que quase já não é ela mesma. E que, mesmo assim, diria sim, se ele não tivesse recuado. E é assustador. E ela diz: nunca mais. 


Um comentário:

Francy´s Oliva disse...

É caríssima o que fazer quando nos falta o ar? Lembrar de respirar e muitas vezes não conseguir. adorei o seu post.

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