terça-feira, 5 de novembro de 2013

Fósforos

 Eu não sei se vocês leram a historinha da menina vendedora de fósforos. Eu me sinto assim, espiando, do lado de lá das janelas, os amores, a conversa, a entrega, os erros, os encontros, a vida. Querendo ser assim, também. Querendo ter assim, também. Do lado de cá, com a mão fria, desenho arremedos nos vidros embaçados. Eu faço de conta que. Aceito amores, mãos dadas, pequenas narrativas de quase encontro pra achar que estou sentindo alguma coisa. Eu faço de conta que. Invento medos e dores, cravo as unhas na palma até fazer sangue pra fingir sentir alguma coisa. Conto histórias como quem acende os fósforos, tentando acreditar que colecionar pequenos instantes de felicidade possa aquecer o galpão desabitado que trago no peito. As pequenas chamas me fascinam, mas não há calor o bastante nessa caixinha.

Status: precisando ler Freud.


 Se você ainda, eu também.

Homem e mulher, mãos dadas no ônibus. Ele me interessa. O que faço? Fico olhando pra ela, claro. Como uma investigadora pouco sutil, tento desvendar os encantos que desconheço. O que há, ali, pra ser desejado? Pois é, uma pena que meu ex-analista não atende à distância. E sim, eu sei, sou um clichê ambulante.



 Quando eu fui visitar minha amiga na Inglaterra, fiquei pensando se o avião caísse e eu morresse, será que minha irmã (ê, Liana, é contigo mesmo) saberia tudo que teria pra fazer em relação aos avisos/amigos virtuais.  Daí vou listar o principal aqui, se algo mudar, te digo, tá? Colocar uma mensagem na minha página do FB, com comentários fechados, por 72 horas. Depois, excluir a página (a vantagem é que ela já tem todas as minhas senhas, aí fica fácil). Mandar um mail pra SrtaBia e pedir que ela avise no grupo das Blogueiras Feministas. Mandar um mail pra Niara e pedir que ela avise aos biscates. Mandar um mail pro moço, outro pro Zé, pro Manuel, pra Joana e pra Teresa. Escrever uma notinha, colocar aqui no blog com comentários fechados e deixar por uma semana. Depois, excluir o blog. Acho que é só. É mais simples deixar de existir do que, na maior parte do tempo, a gente pensa. 

Eu sei, eu sei. Não é culpa sua. Nem minha. Nem nossa. Apenas não é. Não somos. Reza quem é de rezar, brinca aquele que é de brincadeira... é que eu sou festa pra uma noite inteira, mas você tem que sair mais cedo, trabalha amanhã. 

Eu piso um bocado na bola. E não tenho nenhuma vergonha de reconhecer. E pedir desculpas. E tentar mudar. Porque, cedinho na vida, eu aprendi: se todo mundo sambasse seria mais fácil viver.

Um comentário:

Rita L.M. disse...

Olá, Luciana,

Adorei passear pelo seu espaço.
Eu também "... me sinto assim, espiando, do lado de lá das janelas, os amores, a conversa, a entrega, os erros, os encontros, a vida."
** Indo (re)ler A menina vendedora de fósforos.
Em mais uma coisa me identifico com vc:" Eu piso um bocado na bola. "

Beijos minha querida

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...