quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Essa Família

Eu tenho essa família. Toda ela, dos tios dos meus pais aos filhos dos meus primos. Essa família que me fez. Que me faz. Que ama. Que intensamente ama. E ri. Livre e inconsequentemente ri. Que sobrevive e cria na adversidade. Que se diverte uns com os outros. Que se apoia. Que suporta. Que cuida. Que executa planos mirabolantes. Que celebra. Eu não tenho mérito, o que eu tenho é essa família.



Essa família me deu o sertão. O “interior”. Do estado. De mim. Me deu a conversa na varanda, a caneca de alumínio, o dormir de rede. Me deu o feijão verde, a terra rachada, o encantamento diante do açude. Essa família me deu a possibilidade de reconhecer (e reconhecer-me em) Raimundos e Marias. Me deu o jeito de parar pra tomar o cafezinho, de saber a hora certa de abraçar, me deu o elogio franco a ser dito na hora da saída.

Essa família me deu o dormir fora, o comer de colher, o banho de chuva. Me deu a lei do cão e o churrasco no quintal. Essa família me deu os agentes de saúde, os líderes comunitários, os presidentes de associações de moradores. Me deu o caminho da passeata, da romaria, da novena, da quermesse. Me deu o jogo de baralho, o passa bombom, o apostar milho. Me deu cantadores de viola e cordelistas, agricultores e pescadores.


Essa família me deu, também, o espaço e os instrumentos pra querer o que eu quisesse, as gregas mitologias, os livros grossos no enquanto das risadas, os filmes que mais ninguém vê. Essa família me fez gente, me deu gente. E me colocou, de uma forma única, em quase lugar algum. Ou por todo lado. Não me reconheço inteira do lado de lá, não sou inteira sem esse mesmo lado.

Então, eu achei fofo esse texto dela, que sempre sabe tanto. E, por um momento, eu quase achei que era meu canto. Tentador. Mas eu não sou o 1,7% nem com muita, muita liberdade poética. Também fiquei de fora. Até faço visitas, mas minha vida real é com os porcentos e tais que escapolem em uma coisa ou outra. E eles não me bloqueiam nem nada, apenas são, eles, eles e eu, eu.


 XXXXXXX


Tem coisas que repito, quase nunca pelas mesmas razões. 
Há coisas que me repetem, quase sempre pelas razões mesmas.

 É que a pessoa é meio casarão. Quem se supõe dona da casa é aquela herdeira de meia idade, legal, até meio boba da corte, uma pollyana envelhecida. Que nem desconfia que no sótão mora uma serial killer.

XXXXXXX

E tem o meu livro pra você comprar. É um livro de quê? É um livro de poentes. Aquela hora em que a luz se transmuda em quase matéria, em que as dores e as belezas podem ser tocadas, em que os olhos embaçam e a gente espia com a alma. Pra saber mais, vocês vão ter que ler. Leiam, leiam. Clica na imagem, vai na nossa página no FB e descobre como comprar...


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