quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Das Lápides Possíveis

Melhor quando não sinto. Quando não sangra. Quando não toca. Melhor quando não preciso. Quando não importa. Melhor quando não penso. Não imagino. Não interpreto. Melhor quando não quero. Não quero. Não quero.

É como uma cebola. A gente deixa ir, camada por camada. E, no enquanto, chora.

Meu único plano é continuar respirando.

Uma lápide assim: “nunca mais”.

Melhor abobrinhas no prato que no pensamento.

E tem um texto rodando do minha TL e todo mundo partilhando com tantos elogios e eu tenho vontade de dizer: concordo com tudo que esse cara queria dizer, discordo com veemência do que ele disse. Mas é sempre tão mais fácil lidar com categorias absolutas pra julgar o outro, né. Ou sou eu que sou mais chata e rasa mesmo. 




Só eu não fico decepcionada das pessoas serem, sei lá, humanas? E terem suas fragilidades e enfiarem o pé na jaca e mentirem e dizerem besteira? Só eu acho meio triste, meio terno que, mesmo sendo públicas suas figuras, suas fraquezas  me sejam tão íntimas?

Devo aos franceses qualquer vestígio de “cultura” que alguns supõem em mim. Foram eles e seus Cahiers que creditaram “arte” ao que era entretenimento. Foram eles que gritaram “poesia! beleza!” para Chaplin, Hitch, os noir, os musicais e os faroestes que, antes, eram tratados, com nariz empinado, como “gosto popular”. Não fossem os Truffauts e Godards nem esse leve verniz eu teria para meu gosto simples e não polido. Porque, a bem da verdade, eu sou da festa na calçada, da voz rouca no aboio, das grandes cenas finais com música em crescendo, sou das rimas simples, dos amores rasgados, das perdas devastadoras, dos encontros efusivos. Sou da profusão de cores, do cheiro de alho com manjericão nas mãos, do batom meio borrado. Sou da coreografia ensaiada, dos homens angustiados, dos sentimentos misturados, dos sons acolhedores, das narrativas. Pois é, eu sou das historinhas bem contadas. Mas sou, também dos olhares compridos e das perguntas de “e se”. De vez em quando, sou a da inveja e da percepção da falta. Um nome a mais, um livro a mais, uma compreensão a mais. Nesses momentos agradeço aos moços e seus cadernos eu me sentir um pouquinho melhor.

Eu sei que nunca serei como meus amigos admiráveis e sabidos. Todo mundo viu ou está vendo e amando Breaking Bad. Eu ainda não consegui passar do segundo episódio. (lá vem spoiler. Eu quase me empolguei quando ele fechou os moços lá no carro/fábrica com gás e tudo. Pensei: opa! Aí depois ficou aquele chove num molha, mata num mata, meus anos de faroeste não me permitem apreciar. Um homem faz o que tem que fazer (sendo homem, aqui = pessoa e faz o que tem que fazer = decidir se vai ou racha). Eu me resigno a ser a bobinha que gosta de uma série de adolescentes que foram trocadas na maternidade. Pelo menos me deu vontade de aprender Libras quando voltar pra casa. E tem essa adolescente linda e intensa e rebelde e toda sensível e que vive enfiando o pé na jaca. Me enternece.

2 comentários:

Rita disse...

Era pra ser na mesa com vinho, mas vai aqui: Breaking Bad. Bem, eu gosto. Mas (ainda) não amo como se fosse, sabe, o último biscoito do pacote. Alguns episódios me fizeram cochilar com força e vontade. Outros me disseram 'ah, é disso que tanto falam". A Camila sabida falou e concordo: melhor não extrapolar para implicações sociais da proibição OU as culturas estadunidenses e suas falências (ou algo assim); melhor olhar para o Walter White, sua trajetória. Fica bom. Tô indo por aí. Mas o que me prende mesmo é Jesse falando BITCH! Aff, adoro. Sou assim, que nem você: sou das rimas simples. <3

Lunna disse...

Eu assisti apenas um episódio do Breaking Bad e o deixei pra lá porque não deu pra mim. E eu tenho essa estranha mania de ir contra a maioria. kkkkkk É mais forte aqui dentro, sabe? Eu fui aquela que assistiu NCIS quando ninguém assistia e hoje que todo mundo assisti e me fala do Mark Harmon eu dou de ombros e vou para Castle, aquela série que até pouco tempo ninguém nem sabia que existia por aqui. Agora todos sabem. Sei lá porque sou assim.
Enfim, é isso...
bacio

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