quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Ressaca

Meu coração amanheceu pegando fogo.

Já pode fazer declaração? Abrir o peito e se jogar sem medo? Já pode abrir mão do amanhã, abraçar a incerteza? Já pode prescindir da recíproca e assumir o sentir? Já pode acreditar que o afeto é quando? Lisboa, eu te amo. Entrar numa rua estreita perto de casa pra fazer cópia de chave e descobrir toda uma vida à espera: restaurantes, praças, pastelarias, gente, gente, gente. Sair na terça à noite e sentir o Bairro Alto pulsar. Andar pelo seu jardim de sempre e se embriagar de cheiros e riso e cores. Encantar-se com as mesinhas nas calçadas, esplanadas, praças. Levantar a cabeça e, de repente, espiar os cantos do castelo. Esse amor diário que não perde a capacidade de encantar.

About: eu acordo cedo, eu durmo tarde. No intervalo, me dano.

E quando for o tempo do nunca mais? 

Portugal ardendo. São dias e dias, quilômetros e quilômetros de fogo e desespero e perda e morte. Seis bombeiros morreram. Eu só sei sentir: tristeza, indignação, angústia. E essa surpresa do fogo morro acima, insolente, debochado, persistente.

Para alguém que insiste em dizer que não se importa, até que eu me esforço bastante.

Por agora é o tempo do sempre. 

Eu nunca esqueci: cozinhar pra mais.

Ontem eu vi um moço tocando contrabaixo. O ar divertido, a concentração esporádica, a empolgação em acertar determinada nota em determinado ritmo, ah, como ele me lembrou você. 


E falando em comida, vou resgatando as panelas passadas conforme prometido. Hoje tem tomate. O tomate recheado é tão fácil de fazer que é até meio vergonhoso chamar de receita. Vamos dizer: processo. E o processo começa na escolha do tomate já maduro, porém ainda consistente. O tamanho interfere¿ sim, na quantidade de recheio (#gulosa). Então, pega o tomate e corta a tampa, tira toda a semente e aproveita e retira também aquela carninha que tem dentro. O objetivo é deixar oco, aí lava em água corrente e esfrega, na parte interna, uma pitada de sal, outra de açúcar e deixa de cabeça pra baixo por uns quinze minutos pra escorrer bem e ficar o mais sequinho possível. Aí prepara o recheio, que pode ser do que você quiser, carne moída, frango, soja, etc. Eu sempre uso queijo pra dar a liga, né. O mais gostoso que fiz até hoje o recheio era um combinado dos pedaços de queijos que estavam sobrando na geladeira mais folhinhas de manjericão. Outra combinação boa é frango desfiado, queijo brie, cebola picada, requeijão e ervas variadas temperando. O importante é misturar tudo e atochar no tomate (se ele não ficar em pé, corta delicadamente um pouquinho do fundo). Aí você pode: a) colocar queijo parmesão com um pouco de farinha de rosa pra gratinar (um deles, o marronzinho, foi assim) ou colocar só o queijo parmesão e cobrir com a tampinha do tomate que cortou lá no começo (o outro). Aí coloca num refratário com azeite (o que tinha tampinha eu aproveitei e escorri azeite em cima) e deixa no forno pré-aquecido por uns 20 minutos. E só. (em processo semelhante dá pra rechear o pimentão também, mas aí eu levo pro forno embrulhado em papel alumínio).


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