segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Não Sei Lidar Com a Vida

Aquela hora em que você sabe que é melhor ficar calada senão vai dizer o que não quer dizer e depois vai sustentar sem querer só porque é teimosa... meu tempo é hoje.

Eu nunca dei a mínima pra celulite ou estrias. Não ligo de engordar. Eu não me importo de aparecerem cabelos brancos. Não me chateio por virem chegando as rugas, a gravidade nos seios, aquele vai e vem quando abano o braço. Mas estava aqui morta de triste, #xatiada, ahazada, "quaischorando" por causa de uma espinha. Aí fiz o quê? Apertei e apertei, mesmo com toda a dor e sangue. E agora tenho uma cratera no rosto, uma marca pra todo o sempre. #NãoSeiLidarComAVida.


Por favor, eu não quero fazer planos.

“e o meu coração embora finja fazer mil viagens fica batendo parado naquela estação”

Você está exatamente onde você gostaria de estar, fazendo o que você quer fazer e tudo que lhe apetece é chorar um pouco.




Assisti Elles, com Juliete Binoche. Primeiro, é preciso que diga, ela me comove. É daquelas atrizes, daqueles artistas, que tem um encanto, um brilho, um não-sei-que-diga que me vai direto ao oco do peito. E, por isso, o filme não foi um desperdício de tempo. Porque ela está lá, em praticamente todas as cenas, tocando-me. Elles é inquietante, mas não pelos bons motivos, não porque coloca perguntas que não sabemos responder, não porque mostra o que há de imensamente humano no mundo distante/próximo das personagens, não por provocar, inquirir, desacomodar... é inquietante porque dá a sensação de não avançar e, ao mesmo tempo, nos rebola longe, vai aos saltos, sem aquele nós, mesmo discretos, entre assuntos e cenas. O tema é atraente. E dói. E atrái. Binoche está impecável. E linda. E dolorida. Enfim. Mas é uma direção mecânica, cenários excessivamente higienizados e já sabemos tudo que aparece, e não parece novo – apenas aparece de novo. Talvez eu devesse ficar feliz porque o filme, pelo menos, não tem uma pegada moralista e a música é bem boa. Mas não basta (reparei agora que nem disse do que trata o filme, resumindo é assim: Binoche é uma jornalista que está escrevendo um texto sobre estudantes que pagam seus estudos com o dinheiro da prostituição. O foco são as entrevistas uma garota francesa e uma imigrante polonesa. Ela equilibra o trabalho com um casamento em crise e dois filhos). Além de Binoche, sempre competente, a atriz que interpreta a estudante francesa também faz um bom trabalho. Consegue sair dos clichês, apresenta um trabalho com contradições sutis, pequenas dores, discretas alegrias, as dúvidas de todos os 20 e poucos anos.

Começou a chover, chover, chover e eu, que já andava arredia de rua, tenho medo de apodrecer que nem banana abafada.

Tenho um monte de casaco pendurados perto da porta e só consigo pensar: preciso de um casaco pra chuva. Quando foi que as coisas passaram a ser tão relevantes assim?

Começou o outono. Eu não queria me acostumar com isso de estações porque minha vida costuma ser em sol. Mas, só por hoje, vou me permitir dizer: acho bonito o desbotar da vida. 

Quando tudo for esquecimento, ainda vou sentir tuas mãos nos meus cabelos.

2 comentários:

Cristina Lopes Cassiano disse...

Você já viu o Inside Actor's Studio com ela? Eu choro junto quando ela chora ao explicar o que é memória emocional dos personagens. Algo assim. Tenta ver no youtube. Sou apaixonada por Juliette desde o Bleu da trilogia lá.

Rita disse...

Team Binoche aqui também. Vi La Vie d'une autre esse ano e gostei bem.

Vou ver esse aí, quando der.

E, né, post quentinho.

Bj

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