domingo, 8 de setembro de 2013

Ficção

Cutucar a onça com vara curta: trabalhamos.

Há gente que nunca vai entender: descascar com a unha a casquinha da ferida, lavar o corte no pé com água do mar, uma poesia de Sylvia.

Um pequenino grão de areia, que era bem ciente da sua posição, olhando o céu viu uma estrela e sacou logo: não tenho a menor chance. Veio o vento, virou poeira. Fim.

Água, minha netinha? Azeite, vovozinha.

 “é uma infelicidade que existam tão poucos intervalos entre o tempo em que somos demasiado novos e o tempo em que somos demasiado velhos”.

Alguém aperta o play, se faz favor.

Porque eu também tenho medo. E de vez em quando tento descobrir do quê.

Ainda: a coragem de dizer a verdade, a delicadeza de não fazê-lo.

Uma manga, uma lata de leite condensado, uma lata de natas. Porque esse lance da vida ser doce mas ser dura já deu por hoje.

Reinventar meus sentimentos é a única forma de preservar a verdade. É como ficção que posso te amar. 

Gosto muito de  Grease, gosto da quase inocência, das grandes questões que se resolvem tão simplesmente. Gosto da alegria que tem, quase ali, a melancolia como gêmea. E, como em muitos outros filmes, gosto dos secundários. Gosto imensamente da Rizzo. E quando não sei nomear o que dói, quando tudo fica imenso e meu peito tão pequeno, quando é essa solidão de existir, eu escuto e o que ela sofre se desmancha em sal e tempera meu coração. 

Eu me repito? Pois. 




2 comentários:

Cláudio Luiz disse...

se tivesse postado as frases em separado no face ia ganhar vários likes meu.
Gostei e me identifiquei com vários pontos.

Thais de Siervi disse...

Compartilho a opinião do leitor Claudio. Suas palavras tocam.

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