terça-feira, 20 de agosto de 2013

Potável

Cheguei. Percebi, com alguma surpresa, que estava com saudades de Lisboa. Não só das pessoas queridas daqui, mas da própria cidade, das esquinas, prédios, cores, sons... gostei de chegar e sentir o bafo quente do verão português (eu pensava que sabia o que é calor por morar em Mossoró mas era ingenuidade minha) como um abraço sufocante do qual não se quer sair porque morrer ali, naquele peito, é o melhor que se pode querer.

Agora é tentar fazer a cabeça voltar pra tese, o que não é nada fácil. Pra começar tem a ressaca pós-férias, que sempre é mais inclemente quando é o combo férias-viagem. Depois tem o novo ritmo do curso nesse período, com muito mais autonomia e demanda de iniciativa minha. Sem falar do meu juízo que teima em se ausentar e fica vagueando entre navios que queimam lentamente na baía e discos de vinil rodando na vitrola.


*****

Eu não esperava seu email. Até demorei pra entender. Eu nunca teria a pretensão de dizer: perdeu, playboy. Não acho que se trate de uma contabilidade de bem querer. O que não foi vivido não pode ser crédito ou débito, para mim, pra você, pra ninguém. O que a gente faz com a vida, inclusive com as ausências, é o que conta. Eu não decidi por você antes, eu não decido por você agora. O seu desejo e o que você faz com ele, não posso, não devo e não quero como responsabilidade minha. Eu falo por mim. Eu falo de mim. Escrevi antes, escrevo agora e sustento: eu quero o bom. Eu escolho o riso. Eu não me furto a segurar mãos, a emprestar ombros, a chorar junto. Mas isso como processo, não como estilo ou estrutura. Eu não sou de esquivas. Eu não sou de tristezas. Eu não sou de quases. Eu não sou em um nós. Você não precisa concordar comigo. Mas eu concordo comigo e ajo de acordo. A carta aberta não é pra você, é sobre mim, pra mim, por mim. Nós não nos devemos nada. O que não foi também foi uma escolha nossa não ser. Eu não quero mais dançar essa música. Eu já fui.




As Pontes de Madison na televisão... como cantava Fafá de Belém: viver não é fácil não, pergunte ao meu coração.
                                                               
Gosto de umas coisinhas simples, que parecem com o passado que nunca chegou a ser meu: calendário na cozinha, almofadas coloridas, um vasinho de alecrim na janela.

Eu queria ser sofisticada, mas sou dessas que memoriza frases de C. Rochefort para descrever o que sente.


estações em p&b, uma dessas belezas que doem.

Viver não é para amadores. Ou seja, tô lascadinha (diga com sotaque, enfatizando o “d”).

Eu gosto dos quereres impossíveis: no cinema, claro.

Andando em círculos pra ver se você me encontra.

Eu escrevo a mão, sabe. Já tive letra redonda, bonita, vistosa. Ainda mantenho a sombra. E o afeto que se inscreve em cada risco. Mais uma mensagem na garrafa esperando ser encontrada.



2 comentários:

Rita disse...

<3

Anônimo disse...

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