segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Codornas

Sim, tá quase na hora e eu estou naquele limbo onde já não é e não pode mais ser. Não sei dizer o que sinto. Não estou feliz por viajar e ficar longe daqui e de quem amo. Não estou triste por ir a Lisboa e ficar perto de outros quereres. Minha garganta arde. Sinto um sono inquietante que me faz cochilar a cada duas horas. Refaço o percurso na memória: praia, festa, bares, panelada no mercado, viagem a sampa, abraços, risadas. Sou gulosa, quero tudo. Ir, ficar. Voltar. Estar. Permanecer. Partir. Como não posso, não me arrependo de nada, fico feliz com o que for: ir, ficar, voltar, estar, permanecer, partir.

Tentei evitar, mas a mala vai cheia de livros. Descobri que não só é impossível fazer um doutorado sem livros (hohoho) como é impossível fazê-lo sem os meus livros, aqueles de estima, que já se abrem nas partes mais visitadas, os que sustentam o raciocínio ou embotam o pensamento, os de “trabalho”, os de “prazer”.

Comprei uma sapatilha vermelha.

Em viagens longas eu penso no xixi. Acho que na hora do check-in a gente se divide entre os que preferem incomodar, os que preferem ser incomodados e os que chegaram tarde pra decidir. Eu prefiro ser incomodada, daí escolho sempre cadeira no corredor. Pra não ter que acordar ninguém na hora de sair pra o xixi ou algo assim. Mas hoje estou meio arrependida, porque é tão lindo chegar em Lisboa.


Todos os dias eu lembro: se é de se criar expectativas, melhor criar codornas. 

Um comentário:

Iara disse...

Em quantos espaços diferentes posso te desejar boa viagem? ;)

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