domingo, 14 de julho de 2013

Movimento

A gente se acostuma com o movimento. É na estrada que me sinto em casa. Mas não só: em abraços também.



Desaprendi a dizer. Mas o certo é que ainda preciso. O verde do caminho. O cheiro de café. Viver com trilha sonora. A mão que adivinha. As explicações tão detalhadas. Fazer, do peito, cama.


Em família: acorde cedo, vá com o pai ao Mucuripe. Descubra, perturbada, que os boxes não estão lá. Descubra, aliviada, que estão temporariamente perto da estátua de Iracema enquanto o lugar é reformado. Perca os olhos no mar e se demore paquerando peixes e lagostas. Converse com o moço, negocie, ria, lembre, prometa. Em casa, tempere os camarões descascados com sal, pimenta do reino e açafrão. Passe o dia em risos. Antes do jogo: pique a cebola, o alho, o cheiro verde, separe o vinho branco. Torça, reclame do juiz, vibre com o gol. No intervalo, água pro macarrão e, na outra panela, azeite, azeite, azeite. Refogue a cebola até ficar molinha e quase transparente, acrescente o alho, mexa, mexa, junte o camarão e deixe pegar gosto. Coloque o macarrão na água que está fervendo. Um pouco de vinho branco na panela do camarão, o resto nas taças. Já é hora do leite de coco, coloque, baixe o fogo. Se quiser (aqui eu quis) um pouco de creme de leite. Pronto? Volte pra ver o jogo. Torça sem esquecer de voltar de vez em quando pra ver o ponto do macarrão. Quando o técnico manda o time recuar ainda mais, suspire, volte pra cozinha, despeje o macarrão na travessa, junte o molho e salpique o cheiro verde (não esqueça de separar um pouco da massa sem o molho e fazer com ovo pra sua sobrinha). 



Perto de muita água, tudo é feliz, quantas vezes você já leu isso por aqui?

Pra mim o processo é tão importante quanto o resultado. Diria até: o processo constitui o resultado. Para deixar de andar em círculos é preciso mais do que um caminho novo, é preciso uma nova forma de caminhar.

Cantavam os moços: se ela tivesse a coragem de morrer de amor. Eu descobri:  viver é morrer um dia por vez. Então, moços, sim, sim, sim, ela agora tem.

Das vontades: mais tempo laminado.

E por falar em estrada: São Paulo, tô quase aí.






6 comentários:

Tina Lopes disse...

Luciana, menina-poesia.

Danielle Martins disse...

Tão bom ter seu abraço...

Fernando Amaral disse...

Sem contar o cheiro pela casa...

Caminhante disse...

Emocionada com a tua emoção. Bem-vinda de volta!

Bárbara Lopes disse...

São Paulo está ansiosa.

Anônimo disse...

E eu que comi do macarrão.....

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