terça-feira, 2 de julho de 2013

Fora do Lugar


Aquela sensação de inadequação. Alguma coisa fora do lugar. Eu. Minha fala. Meus planos. No espelho, só há lugar para esses olhos assustados.  A corda é bamba. Lá em casa todo mundo é bamba. Nem sempre é fácil manter a peteca no ar. Um passo, outro passo, não preciso olhar pra saber: nenhuma rede. Recordo a voz forte de Bethania: “você pode me empurrar pro precipício não me importo com isso, eu adoro voar”. Desejo asas ou, pelo menos, coragem. Quando eu era menina e o LP Drama me indicava as belezas, eu também queria ser trapezista. Não pelo circo, não pelo vôo, só pra poder sentir, como ela, a certeza de que alguém segurava minhas mãos. Cresci e já não há nem LPs, desejos de trapézio ou esperança de uma mão que me segure. Sou eu, passo a passo, em busca do equilíbrio. Só eu, passo a passo.  

Que venha o tempo e o esgarçamento do lembrar, que venha o esquecimento e a repentina surpresa terna pelo que parecia tão importante. Que a dor seja ontem. Que a angústia seja ontem. Que a perda seja memória.

Que venha o futuro e ele seja um abraço. Ou uma estrela do mar.



2 comentários:

Nanica disse...

Estou sempre aqui torcendo por você nessa caminhada, amiga!!!

Rita disse...

Só me consola saber que quando o peito aperta há essas mãos todas que se seguram. Dia difícil, hoje, amiga. Beijo pra você e muito amor por seu blog cheio de palavras-rede.

bj
Rita

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