terça-feira, 18 de junho de 2013

O Movimento é Sexy

1. Eu não vou me manifestar contra a corrupção.
2. Eu não sou a favor de depor a Dilma.
3. Eu não sou do movimento Basta ou Cansei ou qualquer um desse naipe.
4. Eu não acho que o gigante acordou.
5. Eu não sou contra os eventos de grande porte acontecerem no Brasil.

1. Eu não acho que a corrupção surgiu com e na gestão do PT, não penso que é um problema específico da classe política ou do Brasil. Acredito que com mecanismos de fiscalização e a sociedade civil atuante e organizada pode-se agir sobre o que interessa: a minimização das perdas e o controle dos processos.

2. Nesse assunto, sou bem conservadora: acho que governo a gente troca na urna. Nem discuto. Acho um absurdo Belo Monte, acho um absurdo rifarem as pautas e demandas do Movimento LGBT, acho um absurdo o descaso com os Direitos Humanos, acho inominável as alianças especialmente com a bancada evangélica em prol de retrocessos no que se refere aos direitos das mulheres. Mas sou a favor das cotas, das políticas afirmativas na cultura, do Bolsa Família. Então, na hora de escolher legislativo e executivo eu vou levar em conta os compromissos com as questões que julgo primordiais e ficar de olho e lutando nos espaços que encontrar.

UPDATE: esse ponto, voto com a ressalva da relatora querida Iara Paiva: "Eu acho que a possibilidade de impeachmente é parte do jogo democrático. Mas impeachment não é porque que gente não concorda com os rumos do governo - é porque ele cometeu crimes sérios."

3. Eu não cansei. Não cansei de lutar, não cansei de acreditar. Não acho que a responsabilidade por uma sociedade mais justa é um fardo ou compromisso alheio. Não me acho à parte do problema nem da solução. Não separo “eles” de “nós”, sendo “eles” uma entidade abstrata e desumanizada. Somos, todos, gente, com fraquezas, limitações, virtudes, desejos e demandas específicas. E somos, todos, responsáveis, com nosso silêncio, com nossas ações, com nossos gritos, com nossa acomodação.

4. Não acordou porque não estava dormindo. Os Movimentos Sociais estão aí, na rua, na militância, no bom combate. Estão nos blogs, nas caminhadas, nos jornais, fazendo resistência, nomeando os erros, dialogando e ocupando os espaços, agindo, de olhos bem abertos. O "gigante" é múltiplo, diverso e tem pautas diferentes de acordo com grupos e interesses específicos, incluindo diferenças de classe.

5. Sou contra a forma como o processo todo foi dirigido e está sendo encarado: um processo excludente e que marginaliza grande parte da população, com especulação imobiliária e interesses diversos (e não relacionados com os eventos e sua qualidade/eficiência) pautando as ações.

Sou a favor da gente lembrar, em altos brados, que é sobre 20 centavos. Que as pessoas foram pra rua por causa do aumento de preço de passagens de ônibus, metrô e trem. Sou a favor de não obscurecer que é sobre tarifa zero. E, claro, como disse a Fabiana Motroni: “é sobre tudo isso que o protesto contra o aumento da passagem representa: é sobre a não-politica de transporte público, é sobre o não-respeito ao direito de todo cidadão sobre o todo espaço público e urbano, é sobre as máfias da especulação imobiliária e das empresas de transportes apoiadas pelos governos."

Então eu vou fazer o que, hoje, no Largo de Camões? Eu vou lá pra me sentir integrada a um monte de gente que amo e respeito que foi pra rua ontem e tantas outras vezes nas Marchas das vadias, contra o estatuto do nascituro, contra a desapropriação em Pinheirinhos e da Aldeia Maracanã, contra Belo Monte. Vou dizer que não sou chocadeira e que o corpo das mulheres não é do Estado nem da Igreja e que o governo que não acata isso não me representa mais.


Vou lá pra temperar minha salada 
- e minha militância - com o que eu quiser.


Vou lá pelo direito de ter direitos. Pelo direito à manifestação e à ocupação pública do espaço público.Vou lá pra convergir com a Elza Soares e dizer que 0,20 centavos faz diferença. 



Vou lá porque eu amo a rua, as mobilizações, as manifestações.Vou lá porque gritar palavras de ordem, segurar cartazes, empunhar bandeiras é uma forma de ser quem eu sou. Vou lá porque acreditar é subversivo. Porque estar com outras pessoas é transformador. Especialmente porque me agrada seguir o que a Jeanne propôs no seu excelente post:

Então eu vou fazer o que, hoje, no Largo de Camões? Pensar no Chico Buarque, ora.


*****

E, só pra terminar, contar pra vocês o quanto tenho me emocionado, me preocupado, me comovido, me mobilizado com os atos no Brasil. Os grandes momentos, como a tomada da cobertura do Congresso Nacional, ou as pequenas gentilezas e articulações como a creche da FemMaterna e do LuluzinhaCamp. Todos eles fazem a diferença. Todos vocês, que neles estão, fazem, do mundo, um lugar em que eu quero estar, agora, hoje.




São muitos os nomes, muitas pessoas, mas vou deixar um beijo especial pra Babi porque foi ela que verbalizou o que eu penso: o movimento é sexy.

PS. Se alguém souber quem fez estas fotos me avisa pra eu colocar os créditos.



3 comentários:

Nina disse...

Só dizer que eu tava lendo tudo, concordando, coração feliz com suas palavras, mas as lágrimas vieram aos olhos no momento que você falou do Chico Buarque. Que é o que sempre, sempre me motivou: TODOS JUNTOS SOMOS FORTES!!

Obrigada pelas palavras.

Tina Lopes disse...

Ah sua gata, vc deixa a gente sem ter o que comentar. Eu vou lá no sábado, fazer meu movimento sexy, mas confesso: meio desacorçoada porque já misturaram bolsa-família e fora Dilma e se chegar lá e ouvir esse tipo de grito, fazer o quê, dou meia-volta.

A. C disse...

Vou pra casa mais leve depois desse texto...tão bom quando a gente vê as nossas idéias colocadas, explicitadas e de forma tão linda! Brigada!
A-mei! bj!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...