terça-feira, 25 de junho de 2013

Ele, Passarinho


Como o passarinho que veio espiar na janela. Ele me olha a olhá-lo. Eu, espantada. Ele, não sei, curioso talvez, inclina a cabeça pro lado e mexe lateralmente, vez ou outra, o corpo.

Dá vontade de estender a mão, antecipo seu morno encostado em meu peito. Apesar do anseio, não faço nenhum movimento. Temo que ele se assuste. Que ele vá embora. 

Não tem moral do história. Olhamo-nos. Quanto tempo? Não sei. A beleza desdenha relógios.

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Eu desaprendi o querer bem na palavra. Engasgo, engulo, reflito e estendo a mão, como canta Bethania. Me esforço em cafunés.

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Memória é como a pele que recobre o corte: cicatriz.

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Lisboa é abraço. Porto é sorriso. E Portugal por dentro é poema. Rima espaço com saudade e a gente escuta o fado sussurrado entre folhas. 

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Dói de doer latejante a certeza: tem régua e balança pro valor da vida.  A carne negra, suburbana e pobre tá no fim da fila.


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A estrada de tijolos amarelos. De flores amarelas. Indo cada dia pra mais dentro do ti que está dentro de mim.

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Um peito: casulo ou labirinto?

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"No armário do meu quarto escondo de 
tempo e traça meu vestido estampado em fundo preto. 
É de seda macia desenhada em campânulas vermelhas
 à ponta de longas hastes delicadas. 
Eu o quis com paixão e o vesti como um rito, meu vestido de amante. 


Ficou meu cheiro nele, meu sonho, meu corpo ido. 
É só tocá-lo, volatiza-se a memória guardada: 
eu estou no cinema e deixo que segurem minha mão. 
De tempo e traça meu vestido me guarda."

Um comentário:

Francy´s Oliva disse...

Eu em geral sempre te leio e não faço comentários, apenas aprecio as tuas palavras e algumas vezes compartilho,mas, depois de desaprender. e ler que a memória é como a pele que recobre o corte... simplesmente não resisti.
um abraço.

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