sábado, 18 de maio de 2013

Diário de Bordo: Salas de Cinema


Andei relendo os posts da primeira semana em Lisboa e que saudade que deu, não daqueles dias, mas daquela escrita despretensiosa, descritiva, ingênua. Que saudade de poder ser boba. Que vontade de ter os olhos límpidos, os dias longos, o corpo alerta.

Senti que, daqui a um tempo, quando olhar pros dias que vivi, estas tolas letrinhas serão morno abraço, consolo, companhia. E fiquei com pena de todas as coisas que achei demasiado miúdas, que considerei irrelevantes, todas as coisas que, por falta de tempo, de gosto ou de jeito, não deixei aqui. Fiquei com saudade do que já esqueci.

Eu não registrei que aqui tem leite com nescau na garrafinha e que eu adoro. Eu não escrevi que a senhorinha que me vende peixes no mercado diz assim: “mas a minina vai almoçar o quê hoje?” pra me perguntar o que eu quero comprar. Eu não contei que o guarda-roupa da casa é tão pequeno que eu alterno assim: quando estava no outono/inverno, os vestidinhos e camisetas ficavam na mala, agora que é primavera, inverti, os casacos e blusas mais quentes estão guardadinhos...e mesmo assim as coisas se espalham penduradas nas cadeiras, na testeira da cama. Eu não falei que pra pagar a renda eu tenho que subir os maiores lances de escada que já vi nem disse que descobri que bem pertinho de mim tem "o melhor bolo de chocolate do mundo".

Então, pra não perder o bonde, ou melhor, o eléctrico, vou falar do cinema. Já fui a salas no Centro Comercial Amoreiras (aqui quase ninguém que eu conheço chama shopping), no El Corte Inglês e no Centro Comercial Colombo. O cinema do Centro Comercial Colombo e das Amoreiras compartilham o mesmo probleminha: intervalo. Gente, intervalo em E o Vento Levou, vá lá, mas em um filme de 120 minutos? Completamente inadequado. E eles nem se preocupam com o momento da parada, é divisão aritmética simples. O cinema do Colombo tem um problema a mais: não sei de onde eles tiraram a ideia que vender o ingresso no mesmo balcão em que vende a pipoca era legal. Provavelmente dos lucros, eu sei. Mas é chato. Chato. Chato. Uma venda de bilhete que deveria demorar menos de um, vá lá, dois minutos se esteeeende na indecisão das pessoas sobre o tamanho do refrigerante e a demora pra entregarem a pipoca. E quando uma porção dos filmes em cartaz são os “badalados” vocês já imaginam o tamanho das filas – ainda mais se eu acrescer que esse é o shopping “popular”, né. E o cinema Colombo é quente. Por outro lado, as poltronas são todas ótimas e o som é bem bom. As salas do El Corte Inglês ganham pelo conjunto da obra, além de não terem esse lance de mesmo balcão nem intervalos durante os filmes, a climatização é jóia e estão passando filmes antigões restaurados. Vi Lawrence da Arábia, Psicose e vou ver A Um Passo da Eternidade. Filmes que nunca sonhei ver na telona. É giro. 

Depois do cineminha, dei uma volta no quintal só pra ver o estrago que a indecisão climática tá fazendo nas plantinhas. As flores ficam na maior dúvida, tá na hora ou não? E as roseiras sofrem com as ventanias, tadinhas... Eu vejo as pétalas no chão e me dá logo vontade de cantar: o cravo brigou com a rosa e tal.










É mais ou menos fácil saber quando se chegou a um lugar. Eu sei que cheguei à cidade de Lisboa no dia 15 de setembro de 2012, tá carimbado no passaporte, tá impresso na passagem, tá registrado no blog. Pois bem, cheguei, quero ficar bem a vontade, estilo Tim Maia. Mas como sabemos que uma cidade chegou a nós? Onde está o carimbo, a impressão, o registro? O cheirinho da minha Lisboa vocês podem acompanhar agora num tumblr: Cheira a Lisboa. 

Um comentário:

Palavras Vagabundas disse...

"A um passo da eternidade" na telona, inveja branca define.
Já já viras lisboeta.
beijos
Jussara

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