segunda-feira, 4 de março de 2013

Parabéns porquê mesmo?



Tenho cá pra mim que se engana quem pensa que o amor é feito de semelhanças. Tendo a achar que ele é feito de encontros, esbarrões, vislumbres. E daquela linha tênue entre desejar o outro em nós, pra nós e reconhecer o outro em si mesmo. O amor, penso eu, é feito do reconhecimento da diferença. 

Uma das (várias) diferenças que nós temos, eu e ela, é em relação à linguagem. Porque eu tenho cá pra mim que há o impossível de dizer e ela não concorda. Sobre o amar, mesmo, por exemplo. Tentar dar conta dos motivos pelos quais amamos alguém é uma forma de gozar de falar do outro e pouco mais que isso. Porque é um deslizar de significantes que não se esgota. Eu poderia passar um tempo (e vou) listando as características amáveis que nela encontro. Mas, ainda assim, falta. Uma lista que não finda a não ser pelos limites de espaço, tempo, repertório. Mas não é porque é impossível que nos furtamos de falar ou de amar.

Outra diferença? Aniversários. Eu gosto. Por motivos vários, mas simplificando: porque é festa. Ela faz a diva e se pergunta: ganhar parabéns só porque estou viva por mais um ano? E eu vou responder: não. O “parabéns pra você” não é por manter a vida, mas pelo que você faz com ela. Parabéns por você colocar a mão na massa e se fazer você, essa você que eu amo. Parabéns pela coragem de olhar-se. E dizer-se. Parabéns pelo sorriso que encanta. Parabéns pelo abraço que acolhe. Parabéns por exercitar o pensamento crítico e tolerante. Parabéns por fazer perguntas. Parabéns por construir respostas abertas. Parabéns pela generosidade na letra, no olho, no corpo.

Em 2011 escrevi assim. E ainda é. Só que mais. E rio ao perceber como o amor vem fácil só de estar com você. Uma coisa, aliás, que eu não posso hoje, assim como quase todo mundo que te ama (menos o Daniel, Lucky Guy). E que falta devem fazer os corpos em abraços concretos. Eu sei, eu sinto. Faço, então, meu voto, que a certeza dos afetos minimize as ausências, que o riso venha, de vez em quando, sem nem se saber porque. E que a felicidade, essa clandestina na vida, suba pro convés. Hoje.

3 comentários:

Iara disse...

<3 <3 <3

Rita disse...

É bem assim mesmo. :-)

Izabela Cosenza disse...

fal, a adorável, postou suas palavras e cá estou me deliciando com sua escrita. excelente!

gostaria de postar aquele trecho no meu blog e escrevê-lo em vermelho na porta da minha geladeira rabiscada de coisas para não esquecer. posso? =)

beijodoce

iza