domingo, 24 de março de 2013

Esquinas


Às vezes minha casa fica em nenhum ou qualquer lugar. É só ela, ilha, e eu, nela, náufraga. Mas daqueles que já estão a muito perdidos em si e temperam com esperança, sossego e desalento o jantar e não mais estranham o agridoce. Fico aqui, um aqui que tem comida na hora da fome, cama na hora do sono e janelas que o sol reluta em atravessar. Nessa casa sem paisagem externa eu trabalho, leio, rio e sinto saudades que não nomeio. Tenho esse jeito engraçado de amar muita gente, toda a gente, e saber viver sozinha. E gostar. Até que na geladeira ficam só cerveja, uvas e cebola e eu sinto o concreto do mundo a convocar-me. 

Quando saio, me encontro. Pergunto-me porque demoro tanto a me deixar levar por onde me faz tão bem. Estas esquinas. Minhas esquinas. Eu não sei quantas esquinas tem a sua casa, mas a minha tem várias. Quer passear comigo?

Saindo de casa, amor à primeira vista.


Aí olhamos pra esquerda e tem o quê? Lugar pra beber e comer.
Bem localizada, eu.

Pare e aprecie o açougue.

Eu juro pra vocês que esse prédio lindo é um açougue.
Ou melhor: um talho.

Olha o detalhe deslumbre da fachada.

Pra qualquer beleza que você quiser visitar,
é só pegar o 28. Sim, passa na minha esquina.

E pra um bom café com pastéis (vulgo bolos, vulgo enchebucho)
tem a outra esquina, igualmente bela.


vamos descer a rua?
 Agora é à direita de quem sai da vila

Mais um café. Não dá pra não amar.

E vizinhança antiga, hein? hein?
Não basta ser Basílica, tem que ser Estrela.


Do outro lado, meu Jardim,
onde as cores já começam a pintar...

...e os patinhos fazem a maior zueira...


...e tem o coreto. Basta olhar
e eu começo a cantar a música da Turma do Balão Mágico.

Mas se é pra sair das esquinas da rua e passear nas da alma,
vamos beber um copo com Bocage... 


...ou com o escritor luso da vez.
Mudando de assunto. Ou não. Estou encafifada. Eu compro esse iogurte por 45 cêntimos (e compro dos baratos, é a marca do supermercado, tipo genérica).


Aí encontrei esse lance que tem mais do que o dobro da quantidade, é mais gostoso, vende no mesmo supermercado e custa 50 cêntimos (ficam orgulhosos de eu não escrever centavos?). Será que é Ades?


PS. Coloquei a cerveja aí pra vocês terem referência espacial, claro.


11 comentários:

Cristina Lopes Cassiano disse...

Que esquinas mais lindas. Elas te merecem. <3
Agora, esse iogurte aí, sei lá, não tava pra vencer a validade, não?

Luciana Nepomuceno disse...

Tina, pensei isso também, mas é a terceira vez que compro, olho sempre o rótulo e tem a mesma média de tempo dos outros.

Daniel Nascimento disse...

Eu pensei que rolaria uma foto do Canas (embora esse Nicola seja muito mais bacanudo - teremos que ir da próxima vez ;) )

E sobre tua dúvida entre os iogurtes: larga disso e fica com a cerveja =D

Iara disse...

Ai. Gostei de tudo. E adoro iogurte. Mas eu compro os sem sabor e misturo com geléia. <3

Alice disse...

Adorei ir contigo, saber das esquinas que te encontram.

Gosto muito da tua escrita, é mesmo como ter borboletas nos olhos.

Um beijo

Palavras Vagabundas disse...

Amei suas esquinas! Que açougue lindo! Vontade de conhecer suas esquinas.
bjs
Jussara

Rita disse...

Adorei o passeio. Lindas esquinas sortudas.

bj

Juliana disse...

posso me mudar pra sua vizinhança? que lindeza.

Daniela disse...

Com a foto dessa Basílica eu percebi que eu sei onde você mora...rs. Passei uma tarde bem boa nessa sua vizinhança nos idos de 2007 :-)

mariana gouveia disse...

Vim indicada por um post de Lunna.
Nossa! Fiz um caminho tão gostoso por onde eu gostaria de estar.
Deixo seta com dica de voltar.

Lindo tudo aqui!

Cláudio Luiz disse...

meu gps está quebrado, mas mesmo demorando meu senso de direção me leva ao lugar certo. Só cheguei hoje, mas adorei as esquinas - todas. E o detalhe do talho é mesmo lindo. Estes azulejos recortados são maravilhosos.
Vamos passear por estas esquinas, subir no coreto e tomar um café (o meu, carioca de limão ;c)

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