domingo, 3 de março de 2013

Das Comemorações


Hoje é aniversário do Zico e vocês podem encontrar por aí os mais variados tipos de posts, matérias e reportagens. Algumas euforicamente elogiando, outras relacionando seus feitos e, algumas até tentando minimizar suas conquistas. Aqui não se trata de nada disso. Trata-se apenas de saudade, construção, afeto.



Eu cresci Flamengo. Nem lembro direito quando comecei a acompanhar futebol, mas tenho nítidas as alegrias, o encantamento, as dores, as comemorações. E tenho clara a imagem sorridente do Zico correndo pra torcida pra celebrar o gol. O Zico me faz pensar em festa, alegria. Ele deve ter comemorado algum gol com raiva, claro. Mas não foi o que ficou. Não foi a rixa, a tentativa de menosprezar o adversário nada disso: foi o riso e o companheirismo. Eu via e vejo várias entrevistas com pessoas que jogaram, trabalharam, conviveram com o Zico e para além dos elogios óbvios presentes usualmente nesses momentos, as pessoas sempre tem a lembrança de algo íntimo, próprio e generoso. Acho bonito. Quero pra mim. Um exemplo de como ele pensava foi liderar a ideia de que os possíveis prêmios individuais da final do Mundial Interclubes seriam divididos por todo o grupo. Ele ganhou e dividiu (assim como o Nunes).

Eu sentava no sofá, do lado do meu pai, torcendo não pela vitória – isso às vezes vinha, às vezes não, no tempo do Zico mais sim do que não – mas pelos passes, dribles e, especialmente, pelas cobranças de falta. Porque era tão bonito. É disso que sinto falta: da beleza. Das rimas. Do traço preciso. Das cores.

Lembro das entrevistas e das perguntas, sempre as mesma, sobre a eficiência nas cobranças de falta e as explicações tão simples e sinceras: eu treino. Ele treinava. E eu fui aprendendo: disciplina também pode ser prazer. Crescer flamenguista no tempo do Zico era pedagógico, saber que o certo não exclui o bom, que o esforço não suspende o prazer, que superação é mais do que uma cantiga repetitiva e chata pra nos obrigar a entrar na linha.

Comemorar o aniversário do Zico é celebrar a pessoa que ele, com seu jogo, talento, esforço, exemplo, me ajudou a ser. É celebrar a possibilidade de um jogo – e de um mundo, porque não – que seja de alegria, festa, dedicação, entusiasmo, beleza, sensibilidade, companheirismo. Comemorar o aniversário do Zico é festejar o amor. O meu amor pelo meu pai, pelo meu time, pelos meus sonhos.

E eu pergunto como Moraes Moreira: e agora como é que eu fico nas tardes de domingo? e agora como ficam os meninos? eu acho que ficamos, eu, os meninos, o futebol, mais pobres, mais tristes e menos gentis. 

3 comentários:

Glauco disse...

Luciana, esse texto me fez lembrar da relação de afeto que também estabeleci com o Zico na infância. Da minha primeira lembrança de Copa, a de 1982, quando tinha sete anos, era em Zico, meu primeiro ídolo extra-Santos, que eu depositava minhas esperanças de gritar "É campeão". Aquele jogo com a Itália foi a primeira vez que chorei por causa de futebol, e me perguntava porque o Zico não tinha resolvido a parada.

No ano seguinte, em 1983, o Santos fez a final do Brasileiro com o Flamengo. Venceu a primeira partida e ele, com menos de um minuto, fez um gol no meu time no jogo de volta, no Maracanã. Naquele momento, chorei pela primeira vez pelo Santos. Pensei algo do gênero: "Por que você, Zico? Sou seu fã, por que você?". Em 86 ele me emocionaria, de novo com a seleção, por conta daquele pênalti não convertido diante do Bats.

Zico me fez chorar, mas quantas vezes me fez rir, mesmo não sendo do meu time. E justamente por isso, pela habilidade incomum, pela técnica, e por esse caráter. Comemoremos todos os fãs do futebol.

Didi disse...

Mais um texto maravilhoso, talvez por que eu, como você, tenha nascido flamenguista e serei rubro-negra até morrer.
Como não comemorar os 60 anos do maior ídolo do nosso time? Como não comemorar e lembrar de todas as alegrias que ele nos deu, dentro e fora do gramado, com seu exemplo de profissional e homem de bem.
Parabéns, Zico...
Parabéns pra nós, que tivemos e temos um cara bacana pra nos inspirar num tempo em que o futebol era uma forma de unir a família e os amigos com alegria e tranquilidade.
Domingo era dia de Maracanã, de ver o Zico, de vencer, vencer, vencer...

Anônimo disse...

Amei.... e fico a me perguntar....e a Toinha? kkkk
Bjs feiosa...

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