segunda-feira, 11 de março de 2013

Cartas da Itália e Algures


para renata, andarilha como eu 
e que, suspeito,  também paga excesso de peso
 na mala da saudade

Da Itália

Às vezes me perguntam por que eu não escrevo um livro.  Eu sorrio meio de lado e digo uma coisa gentil qualquer. O que eu não digo é que escrever até que nem. Gavetas estão aí pra recebê-los. A pergunta certa é porque alguém não publica. Porque eu não publico. Publicar demanda entrega. Coragem de deixar as palavras que eram suas serem lidas conforme o Outro queira, interrompendo, abandonando, entendendo exatamente o que você queria ter pensado ou justo o inverso. Publicar demanda desprendimento e coragem. E, um pouquinho, aquela certeza de que alguém, em algum lugar, devia ler aquilo. Eu não sou corajosa. Não sou desprendida. E, especialmente, não consigo imaginar uma situação qualquer em que minhas letras estejam melhor do que naquele armário de ferro. Mas o Allan, ah, o Allan é de coragens. E de entregas. E riscos. E letras. Então, publica ele e eu divulgo.



Seu livro se chama, como seu blog, Carta da Itália. Diz ele que é “um punhado de dicas e impressões sobre o comportamento italiano”. Eu aposto que é com muito charme, humor e bom senso. Foi o Allan que me contou: tá lascada, depois que a gente põe o pé na porta da rua passa a ser estrangeiro em qualquer lugar. Ok, ele não disse exatamente assim, foi mais: “uma vez expatriado, estrangeiro para sempre. As pessoas mudam, as cidades também. O clima jamais será o mesmo e quando você estiver em um lugar, vai sentir falta do outro. Desista agora ou torne-se cidadã do mundo. Sem arrependimentos.” E eu nem sei se ele sabe, mas as palavrinhas dele, não só estas, mas todas, costumam me acompanhar e ensinar. Daí que sem precisar ter lido ainda o livro eu já posso dizer pra vocês que aposto que é uma delícia e que merece todo sucesso que vai ter. E se você quer conhecer o livro, aperte aqui e dá até pra ler as primeiras páginas.

Algures

Um dia seremos desbotados esquecimentos. E daí? Ontem dormimos de mãos dadas.

Quando eu tinha 20 anos era magra, boba e orgulhosa. Continuo boba, mas ganhei estrada e quilos. Aprendi que ser sovina com amor é burrice. Hoje digo "eu te amo" com a insana alegria dos perdulários. Também descobri a beleza de dizer: eu preciso. Eu preciso de você. Eu preciso do seu amor. Sou, assim, pedinte do que esbanjo. E me alegra. 

Outra coisa sobre o antes. Quando eu era menina-adolescente-jovem eu gostava de comer com banana(s). Eu descascava a metade, colocava ao lado do prato e cortava em rodelas. Eu não me incomodava em repartir. Mas se alguém pegasse o último pedaço eu ficava uma fera. Saía de mim. Brigava, a coisa era feia. Daí que minha linda família fez o quê¿ Se especializou em pegar o último pedaço. O que eu aprendi¿ não como mais bananas junto com o almoço.

Passou a semana do Dia Internacional da Mulher e eu não escrevi aqui porque estava no Blogueiras Feministas com a Thayz (Mulheres Guerreiras) e o BiscateSC estava à toda com sua tag #LuzNasMulheres. Não deixe de ler as entrevistas. Mas andei escrevendo um comentário no FB que rendeu, então deixo aqui: a questão é que quando alguém dá um "parabéns" no "dia da mulher" está incorrendo em dois equívocos: o primeiro é esquecer que é um dia de luta e não de comemoração (e este equívoco é encampado e disseminado pelos meios de comunicação de massa) e o segundo é supor que haja alguma essência feminina que mereça ser parabenizada por si mesma, como se cada pessoa não fosse uma construção."

Um comentário:

Allan Robert P. J. disse...

Caríssima Luciana,

Essa ideia maluca de divulgar um livro sem ter lido está me deixando emocionado. Muito obrigado!

Espero estar à altura das expectativas.

Beijocas mil!

:)

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